sábado, 2 de abril de 2011

OS CORREIOS E AS MULHERES

Desde o início do século XX que Camocim tem o serviço de correios. Contudo, um detalhe embeleza essa história - a presença das mulheres na chefia da repartição. Em 1904, vamos encontrar a Judith Napoleão no comando. No ano seguinte, é a vez de Rosa Silva Aguiar chefiar a agência local. Em 1917, o Almanaque do Estado do Ceará, onde fomos buscar estas informações, registra como agente Maria José Magalhães. Vale salientar que estamos falando somente das chefes dos Correios e, com certeza outras mulheres trabalharam e chefiaram essa repartição pública federal. Nessa época, ainda não havia sido construído o atual prédio onde funciona a instituição (foto), em terreno doado pela Associação Comercial. No final dos anos 1980, Camocim ficou conhecida como a "cidade das mulheres" e com relação aos Correios essa tradição é muito mais antiga. Atualmente, para comprovar essa tradição, a Agência dos Correios é chefiada pela competente Jocélia Porto Cavalcante.

Foto: Internet

ALBUQUERQUE & CIA


ABECEDARIUS CAMOCINENSIS

A


O Abecedarius de hoje destaca não uma pessoa, mas, uma firma comercial - ALBUQUERQUE & CIA, uma das mais importantes firmas comerciais existentes em Camocim, fundada ainda no século XIX, no ano de 1888. É, portanto, uma empresa que presenciou os tempos áureos bafejados pelas atividades comerciais advindas do porto e da ferrovia. A firma Albuquerque & Cia representava para Camocim e região a Companhia Nyrba de hidroaviões, posteriormente Panair do Brasil, Lloyd Brasileiro e outras empresas. Seu gande comandante foi Eduardo Normandia de Albuquerque que além de comerciante exerceu outras atividades na sociedade local, como Juiz Substituto, Presidente da Associação Comercial e vereador no período da redemocratização: 1ª Legislatura - 1948-1950. A firma atualmente está desativada e a casa onde funcionou a empresa por muito tempo, além de ter sido sede da Casa da Cultura (foto), foi derrubada para ser construído pontos comerciais.

Foto: Arquivo do Blog Camocim Pote de Histórias.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O GOLPE CIVIL E MILITAR EM CAMOCIM


Foto: Manifestação contra a retirada dos trens de Camocim - Janeiro de 1950. Arquivo do blog.

Ainda precisamos de uma obra definitiva para compreendermos o passado político de Camocim. Desde as primeiras décadas do século XX que a cidade já se diferenciava das demais de mesmo porte do estado pela militância comunista, sendo conhecida como "Cidade Vermelha", inspiração para minha dissertação de mestrado. Hoje sabemos que o Golpe Civil-Militar de 1964, efetivado em 1º de abril e não 31 de março como ensinam os antigos manuais escolares, não foi somente gestado nos quartéis. Diversos setores da sociedade brasileira comungaram e colaboraram com os militares na empreitada de varrer ideias e pessoas sob o pretexto de um pretenso caos comunista oferecido pelo governo de João Goulart. Foi, portanto, no âmbito da propaganda anticomunista que o golpe se concretizou. Em Camocim as repercussões dessas iniciativas também se fizeram presentes no que ficou chamado em todo país de "Marchas da Família com Deus pela Liberdade", ocorridas entre março e junho de 1964. Com o passado de militância comunista com o qual Camocim se notabilizara face ao trabalho do célula local, estes eventos estavam na ordem do dia da Câmara Municipal de Camocim. Acompanhemos:

"Usou da palavra o Snr. Vereador Otávio de Sant"Anna que se reportou sobre o assunto constante nas atas e continuando convidou esta Câmara para tomar parte na concentração e passeata nas principaes ruas desta cidade a se realizar amanhã às 15 horas pela Família Camocinense, na Marcha da Família com Deus com a Liberdade e Democracia em congratulação às Gloriosas Forças Armadas de nossa querida Pátria pela extinção do Credo Vermelho, infiltrado em todo território nacional pelos maus brasileiros".

6ª Sessão Ordinária - 5ª Legislatura. 17 de abril de 1964.

A marcha ocorreu, portanto, em 18 de abril e infelizmente não temos maiores detalhes como a mesma se desenrolou, nem tampouco um registro fotográfico. O vereador em questão é Oficial da Armada da Marinha do Brasil e foi Capitão dos Portos em Camocim. Aproveitando a data do evento e uma novela no SBT que tratará dos chamados "anos de chumbo", estaremos colocando outras postagens futuramente sobre este período em nossa cidade.

domingo, 27 de março de 2011

O COCO DE PRAIA DE CAMOCIM


O Coco de Praia de Camocim foi um folguedo cantado e dançado por trabalhadores camocinenses, principalmente pegadores de caranguejo, salineiros, portuários e estivadores. Não mais é executado e a tradição oral dessa festa parece ter se perdido. Na época em que o SESI – Serviço Social da Indústria atuava em Camocim mais fortemente, nas décadas de 1970 e 1980, o grupo folclórico do coco recebia atenção e se apresentava em suas dependências e outros locais públicos. Com o fechamento do SESI, mais um crime cometido contra a população com o a conivência das autoridades locais, boa parte do exercício das nossas potencialidades esportivas e culturasi ta,bém se foram. A Sra. Margarida Vieira, ex-agente do SESI em Camocim ainda relembra sobre o grupo:

“Foi em 1986 que o SESI com o propósito de resgatar a cultura em Camocim criar um grupo de homens (...) para formar a ‘Dança do Coco’. O grupo era composto de 16 homens, pois teríamos 2 para tocar os caixões e 2 para os ganzás e o restante na roda. Os emboladores também tocavam os ganzás. A vestimenta era de algodãozinho tingido da casca do mangue ou do cajueiro para ficar uma cor marrom. Utilizavam também chapéu de palha e dançavam descalços”. [1]

Podemos perceber na fala da depoente a relação direta da Dança do Coco em Camocim com os trabalhadores, guardiães da tradição oral dessa dança, procurando na sua execução se utilizar de elementos muito próximos a sua realidade, desde aos instrumentos à vestimenta tingida com tintas de árvores da flora local. Contudo, a grande maioria deste grupo já faleceu, não passando para as gerações atuais o folguedo, além de não existir atualmente uma política pública de incentivo de práticas culturais deste tipo.

Foto: Arquivo da Sra. Margarida Vieira


[1] Entrevista com a Sra. Margarida Vieira, professora, 06 de outubro de 2007. Camocim-CE.

DEU EMPATE!

Como prometemos, vamos ao resultado do jogo entre as seleções de Sobral x Camocim, pelo Intermunicipal de Foot-ball de 1951. o jogo aconteceu no Campo da CIDAO e placar final ficou em 3 x 3. O jornal "Correio da Semana", talvez por ser um jornal voltado para a doutrina católica, não traz mais informações sobre o andamento do jogo. Vejamos um pouco do que diz a matéria: "Conforme mandam os Estatutos da Federação Cearense de Sporte (sic!)o jogo deveria ser prorrogado mais vinte minutos para a decisão final, entretanto a embaixada de Camocim, representada pelos senhores Fernando Trevia e Aniceto Rocha alegando que não desejavam mais desputar os vintes minutos, decidiu a retirada do cmpo do selecionado camocinense. Por força dos mesmos Estatutos, ficou desclassificado referido slecionado para os demais jogos. Por este motivo o selecionado sobralense ficou classificado no fogo de domingo. O jornal informa ainda que a renda somou Cr$ 11.000,00. Não sabemos o motivo que o selecionado de Camocim "tirou o time de campo", mas, suponho que tenha acontecido outros fatores que o jornal sobralense omitiu. Quem souber, comentários para a postagem.







Foto: Jornal Correio da Semana. Quarta-feira 22 de agosto de 1951, nº 43.
Arquivo NEDHIS - Núcleo de Estudos e Documentação Histórica. Curso de História /UVA.

sábado, 26 de março de 2011

SERIE MAPAS - TERRA DE SAM VICENTE


Vários cronistas e historiadores relatam a passagem do navegador espanhol Vicente Pinzon por nossa costa. O feito de Pinzon em avistar essa região antes de Cabral já é consenso na historiografia. Como se sabe, até a efetiva colonização portuguesa, a região, como salientamos na postagem anterior da Série Mapas era denominada Costa Leste e alvo constante da pirataria, face sua proximidade com o Caribe, cujo tráfego era facilitado pelas correntes marítimas que levavam as embarcações para lá com grande facilidade. Segundo os relatos de época, como o do Padre Vieira, fica se sabendo que o percurso de Pernambuco ao Maranhão era deveras facilitado por estas correntes. Já o retorno era tão penoso que foi considerado pelos portugueses um dos aspectos que apresentaram maior dificuldade na nascente tarefa de colonizar as "capitanias setentrionais, somado à presença constante de piratas e à inaceitabilidade dos grupos indígenas". O mapa em destaque é datado do início do século XVI atribuído a Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel e faz referência à nossa região, além de fazer parte das várias denominações que nosso atual Rio Coreaú recebeu nas mais diversas cartas náuticas e mapas. Deve-se levar em conta que, àquela época, não tínhamos os instrumentos de precisão que temos hoje e, muitos mapas eram atualizados pelos relatos de navegadores. Seguimos então a fonte do nosso estudo para chegarmos ao ponto que queremos, isto é, mostrar mais uma denominação que nosso rio recebeu ao longo dos tempos:
Nesta carta, de 1519, o litoral apresenta um minucioso detalhamento que só poderia ser executado mediante diversas explorações na costa. Nela está discriminada como Terra de Sam Vicente a costa entre os rios Parnaíba e Timonha, aproximadamente os limites atuais do litoral do Piauí. Segundo a análise de Pompeu Sobrinho (1980) a alusão à Terra de Sam Vicente nessa região também aparece nos mapas de Alonso de Santa Cruz, de 1542; no de Diogo Homem, de 1558; e no de Fernão Vaz Dourado, realizado entre 1568 e 1580. No mapa de Diogo Ribeiro (1529) aparece um “R de Uicente Pison” que Pompeu Sobrinho (1980, p. 181) identifica como o rio Camocim (Coreaú) ou Parnaíba. No mapa de Bussemacher (1598) vê-se um “R. de S. Vincente Pincon”, após o rio Amazonas.

Fonte: Mapa e citações: CAP III - Histórias do Pescador,dos Cacos e dos Antigos Cronistas, publciado em www.ufpi.br.

sexta-feira, 25 de março de 2011

DOMINGO TEM FUTEBOL

O futebol era o grande divertimento do camocinense nas últimas décadas so século XX. A reportagem ao lado é de 18 de agosto de 1951 e reporta-se a uma chamada da partida pelo Intermunicipal daquele ano (19/07/1951). No livro "Outros Tempos" de Franciso de Sousa Trévia, algumas crônicas se reportam aos tempos áureos em que nosso selecionado brilhava nos campos do Estado do Ceará. Para mim, quando criança, a chegada do domingo era diversão certa que meu pai se permitia a me proporcionar, levando-me ao Estádio Fernando Trévia para conferir os amistosos da seleção e de nossos times, especialmente, Maguary, Cruzeiro e Santos. Não alcancei o tempo que existiu o Paraná ou o Flamengo, mas, acredito que muito camocinense "engoliu" poeira torcendo por nossos times. Voltando à matéria, o jornal sobralense "Correio da Semana", tece vários eleogios ao selecionado camocinense criando uma expectativa positiva sobre este clássico do futebol de outrora. Digo, outrora, porque parece-me que o futebol daquela época mostrava tanto o seu lado romântico como a abnegação de dirigentes como Fernando Trévia, hoje tão vilipendiado e cheio de interesses outros. Para quem quiser saber do resultado dessa partida assim como os desdobramentos, domingo, estaremos repassando no blog.

Foto: Jornal Correio da Semana. 18 de agosto de 1951, nº 42.
Arquivo: NEDHIS - Núcleo de Estudos e Documentação Histórica. Curso de História /UVA.