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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

III SC 02 - A RUA SANTOS DUMONT EM CAMOCIM E SEUS CODINOMES


Rua Santos Dumont. Camocim-CE. Fonte: googlemaps
A Rua Santos Dumont em Camocim, talvez seja a que tenha tido mais codinomes em toda sua extensão e história. Isso é muito interessante pois mostra que uma rua é viva e tem íntima relação com seus moradores e com os outros habitantes da cidade, conferindo-lhes uma certa identidade. Caso típico é esta rua que vamos comentar. Antes de receber o nome do "Pai da Aviação", era batizada de Rua da Aurora, como nos lembra o saudoso memorialista Artur Queirós: “... assistimos da calçada de nosso avô Joaquim Carneiro, à rua da Aurora, hoje trecho da rua Santos Dumont, ao insolente e tétrico fogaréu”. (Fonte: SPORT CLUB, In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.40). 
Talvez por chamar-se Aurora, o referido trecho também ficou imortalizado como "Rua do Sol", denominação que até hoje é chamada romanticamente pelos mais velhos.
Seguindo na direção sul-norte temos o Apertada-hora, no cruzamento das Ruas Boa Vista (atual D.Pedro II) com Marechal Floriano. Mais uma vez Artur Queirós nos socorre na descrição: “Local macabro e desabitado, temido por causa das assombrações comentadas. Por ali apenas se passava de dia e, mesmo assim, arredio e desconfiado, com as pernas de sobreaviso para eventual carreira. Á noite, nem pensar. Era necessário um longo contorno por outras ruas, para se evitar o ‘Apertada-hora’,rumo ao centro”. (Fonte: LOBISOMENS E VISAGENS.In: QUEIRÓS, Artur. Recordações camocinenses e outras memórias. 2ª edição. Fortaleza: RBS Gráfica, 2003, p.47-8). 
Seguindo mais à frente, tínhamos a Rua do Macêdo, trecho de casas usadas por prostitutas no trecho que fica imediatamente atrás da Igreja de São Pedro. E a sua rua, tem outros nomes e codinomes?


 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O OUTRO NOME DA RUA ESPERANTINA. CAMOCIM

Início da Rua Esperantina. Camocim-CE. 2012. Fonte: Google Maps.

Já dedicamos algumas postagens ao Bairro Boa Esperança, oficializado em 1991 com essa denominação pela Câmara Municipal de Camocim, objeto de requerimento do então vereador Eduardo Araújo Brito. Hoje, se configura como um dos mais populosos bairros de Camocim.
Hoje, falaremos sobre uma de suas ruas,a Rua Esperantina, que inicia na confluência com a Rua Antônio Zeferino Veras (antiga  Rua 03 de Outubro). 
Logicamente, o termo Esperantina é uma derivação do substantivo Esperança e denomina municípios do Estado do Piauí e Tocantins
É uma das ruas mais importantes do bairro, hoje asfaltada e onde estão localizados o antigo Hospital São Francisco, a COHAB, a Areninha João Tibúrcio e a Unidade Básica de Saúde da Família Cicero Pereira da Rocha (Cícero Pintado).
Porém, a denominação desta rua já foi objeto de modificação no ano de 1996. Não sabemos, no entanto, o porquê da não oficialização dessa proposta. Nas atas da Câmara Municipal não está registrada a sanção do prefeito da época. O certo é que a denominação que ainda hoje perdura é Rua Esperantina. Transcrevemos abaixo o registro que mudava o nome da referida rua para Rua José Siebra Lopes, um importante comerciante que trabalhou e viveu em nossa cidade por muito tempo, oriundo do município de Itapipoca.




3ª Sessão Ordinária – 1º Período Legislativo. 4ª Sessão Legislativa. 12ª Legislatura. 23 de agosto de 1996. p. 79.
“Oradores: Ver. Sérgio Aguiar: Parabenizou o Dia do Soldado, 25/08, e solicitou que fosse enviado ofício a P.M, Capitania dos Portos e Tiro de Guerra. Parabenizou a iniciativa do Vereador Kennedy Braga por ter denominado a Rua Esperantina de Rua José Siebra Lopes. Parabenizou a iniciativa de Prefeitura pelos métodos de ensino nas escolas”.   

Este é apenas um exemplo dos processos nomenclaturais que existem em nossa cidade. 

Fonte: Arquivo da Câmara Municipal de Camocim. 
Foto: Google Maps, 2012.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

A HISTÓRIA POR DETRÁS DA FOTO. RUA ENGENHEIRO PRIVAT

 

"Não Passe". Rua Engenheiro Privat. Camocim-CE. Década de 1950. Fonte: Acervo Vera Trévia.

    Em postagem anterior datada do ano de 2011, afirmamos que a primeira rua de Camocim a ser pavimentada em   pedra tosca foi a atual Rua Dr. João Thomé,  e ilustramos com a foto que mostrava  o flagrante de crianças diante do cavalete disciplinador, brincando na rua,  com a inscrição "Não Passe! (Camocim Pote de Histórias. A Chegada do Calçamento, terça-feira, 15 de março de 2011).

    Em história é assim, a cada dia aparecem novas fontes a comprovarem ou não o que se disse antes. O texto anterior tinha razão quanto a rua Dr. João Thomé, contudo, uma das crianças presente na cena da foto, Vera Trévia, corrigiu um detalhe: a foto foi tirada na Rua Engenheiro Privat, ao lado do bar do Dedim Trévia

    Portanto, há uma historia por detrás da foto. Em conversa com Vera Trévia, testemunha ocular desta história e que ainda mora na mesma rua, ela nos contou sobre a circunstância da imagem e o nome das outras crianças presentes, algumas posando deliberadamente para o fotógrafo, outras, nem tanto, mostrando filhos de duas famílias tradicionais que moravam e brincavam naquela rua: Aguiar e Trévia. Novidade na rua, as obras de pavimentação chamavam a atenção tanto de adultos, como de crianças. O próprio flagrante é prova disso. 

   Segundo Vera Trévia, da esquerda para a direita temos o Gonzaga com a mão no peito, reverente (Luis de Gonzaga Rocha Aguiar, nascido em 1944, irmão de Murilo Aguiar), Vera Trévia e sua boneca preferida; Mentinha com uma bonequinha menor; Dulce Trévia, a garotinha de cabeça baixa segurada por Mentinha, talvez esboçando alguma reação para não aparecer na foto e Fernando Trévia Filho, o conhecidíssimo Fernandinho, de cabeça pelada, de costas para o fotógrafo, como se estivesse reprovando aquilo tudo. Detalhe: as meninas estão de pés descalços e os meninos calçados. Coincidência? Isso diz alguma coisa ou é um mero detalhe?

    São muitas histórias por detrás de uma foto. Com certeza, o fotógrafo diria uma outra, esclarecendo suas intenções e objetivos. Qual é a sua história?

Fonte: Entrevista com a Sra. Vera Trévia. Camocim-CE. 16/10/2025.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O CARNAVAL DE OUTRORA EM CAMOCIM


Na falta de um texto melhor, reproduzimos com algumas modificações, trecho de nossa tese de doutorado onde se discute o lazer dos trabalhadores urbanos de Camocim, enfocando principalmente o Carnaval. Boa folia para todos!!!!

Na rua que nós passamos
Causamos admiração
Nós somos o bloco do Una
Pelas meninas do meu coração. 1
Na falta de um número maior de clubes dançantes na cidade (mesmo porque os pouco existentes não permitiam a entrada de populares), as salas apertadas dos sindicatos eram disputadas, mesmo que entre os trabalhadores existissem aqueles que eram contra a promoção deste tipo de festa, posto que provocavam danos físicos nas mesmas, nem sempre reparados pelos promotores dos bailes carnavalescos. Mas os bailes acabavam acontecendo, não somente nas sedes sindicais, mas também em outros clubes populares, como escreve Artur Queirós:
A Segunda, como era chamada na escala social, os demais, se agrupavam em clubes suburbanos, como o Cruzeiro Sport Club, o Lavanca, na Rua do Sol, com o Zé Pinto de porteiro, o Mija Moça, lá para as bandas da Rua Três de Outubro (...) além do maxixe das quengas, lá na Gameleira, Rua do Macedo e Pega e Puxa. 4
O carnaval, portanto, era um momento de lazer que envolvia os trabalhadores, seja nos bailes nas sedes sociais ou na formação de blocos. O carnaval de rua, segundo os cronistas, era dominado pelos trabalhadores urbanos, existindo, aí, uma clara diferenciação entre estes e os blocos e bailes realizados nos clubes da elite local como Camocim Club, Comercial Clube e Balneário Sport Club. Além disso, nosso cronista que presenciou e se regalou nos carnavais promovidos pelos dois lados, ressalta a diferença da animação dos foliões na brincadeira carnavalesca, comparando-os:
No carnaval de outrora, em Camocim, apareciam muitos blocos populares, carnaval de rua. Eram de estivadores, dos portuários, dos salineiros, dos pescadores, dos marítimos e vários outros, que recebiam até, estímulo da prefeitura, mediante premiação aos que melhor se apresentassem, mediante a classificação de criteriosa comissão julgadora .(...) (...) Os bailes da elite, no Camocim-Club, no Balneário e no Comercial Club reuniam a burguesia local, com bonitas e custosas fantasias, mas sem o entusiasmo das festas da macacada, longe do puritanismo e da peneira dos fidalgos.5
Com bom humor carnavalesco, a festa da “macacada” parece seduzir mais nosso cronista classe média. O entusiasmo de que fala é corroborado por outra testemunha dessa festa dos trabalhadores, dos blocos de sujos, improvisados na liberdade das ruas: “... passavam tisna de panela no rosto todo, nessas ruas todas e foram parar lá na casa de João Luís de França, que tinha o nome de rua do Suvaco, imagina que nome, e ali era a farra”.6 Dessa forma, o Sr. Euclides também salienta o carnaval de rua, mas, denuncia a divisão da folia entre o centro da cidade e a periferia praiana:
... tinha os corsos, carro aberto, sentado em cima da capota, passava pelas calçadas jogando serpentinas e confetes, mas só no centro, não passava por aqui, não vinha para esse lado porque pensava que era um povo condenado, essa gente foi sempre separada da sociedade, era só o centro. E tinha as ruas onde morava o pessoal da sociedade, aí no centro, os ricos e hoje trafegam todo mundo... era tudo dividido”. 7
Na pequena e pacata Camocim, contudo, essas divisões pareciam não afetar muito o espírito dos foliões e observadores da festa que hoje põe suas memórias no papel:
Nas tardes de carnaval, a rua ficava repleta de papangus, em frente ao depósito de cachaça do ‘seu’ Sebastião. Mas, eram apenas papangus, alegres e esmolambados em suas fantasias baratas do carnaval irreverente do povão. O luxo das tardes mominas ficava mesmo por conta da passagem do Bloco do Bandu, que fascinava todos com seu estandarte e suas fantasias de laquê multicoloridas. O tempo levou para bem longe a alegria contagiante daqueles papangus que arrastavam pelas ruas a animação brejeira dos carnavais de Camocim de antigamente, e que, a exemplo do Bloco do Bandu, é hoje, apenas, uma lembrança sutil na memória dos saudosistas de minha terra natal. 8

As folias carnavalescas, assim como o folguedo da Nau Catarineta, eram muito influenciadas pelo que se conhecia no restante do país, embora guardassem suas especificidades locais.  O Sr. Euclides Negreiros dá exemplos dessa, digamos, circularidade da cultura carnavalesca que tinha correspondência em Camocim:
Tinha um senhor (...) ele era carioca e veio para Camocim, desmontou um carro todo e fez uma espécie de chalé... “Folias do Japão”. Aí ele fez aquele pagode, pagode aqui é dança, mas tem o pagode, justamente é um chalé chinês, é. Então ele fez aquilo direitinho, se fantasiou todo de chinês e foi muito bonito. Já o Bloco das Oficinas tinha o nome de Martelo de Prata, saía das oficinas e outros como o Bloco dos Sujos, igual o Rio de Janeiro, era o pessoal que vinha do Rio de Janeiro, chegavam aqui e queria fazer o carnaval, e pronto, saía, todo mundo brincava com o pessoal dos navios. 9

Na organização desses blocos, encontram-se alguns estivadores, entre eles Sebastião Marques, uma espécie de agitador cultural na cidade, que se envolveu não somente com o carnaval, mas com o futebol e outras manifestações folclóricas. Com o apoio oficial, como se disse, vários desses blocos animavam as ruas da cidade, sendo premiados em várias modalidades como “o melhor estandarte, o folião mais animado, fantasias individuais etc.”. Logo as rivalidades se formariam. Para os integrantes do Bloco do Treco, de classe média, o maior rival deles era do Bloco dos Marítimos. Aroldo Viana, cronista que integrava o Bloco do Treco, lembra de outras agremiações que brilharam em meados da década de 1960: “Odaliscas do Rei Salomão, Vai-quem-quer, Não dô cavaco, Bloco do Zorro, os Intocáveis, União, Zombando do azar e outros mais”.10 Numa nota de empenho da Prefeitura Municipal de Camocim, que confirma esse apoio oficial, encontram-se nomes dos organizadores e de blocos para o ano de 1971. Sebastião Marques, Zacarias Ribeiro e Olivan R.Cruz recebem Cr$ 50,00 cada, para exibirem no carnaval daquele ano os blocos “Os Bambas do Passo”, “Os Marítimos” e “Os intocáveis”, respectivamente.11

1Quadrinha relembrada pelo Sr. Euclides Negreiros, referindo-se ao bloco organizado pela tripulação do Navio Una. Outras tripulações de navios ancorados no Porto de Camocim, quando do período momino também organizavam seus blocos e saíam às ruas, segundo o mesmo depoente. Entrevista realizada com o Sr. Euclides Negreiros em 25/04/2007. Camocim-CE.

4 QUEIRÓS, Artur. Coisas e fatos. O Literário, Ano II, edição 8, fevereiro de 2000, p.3. Camocim-CE. Grifos nossos. O cronista refere-se à “Segunda” como uma classe social composta pelos trabalhadores e demais pessoas que não tinham acesso aos outros clubes. “Gameleira, Rua do Macedo e Pega e Puxa” eram locais onde se instalavam pequenos bordéis e casas de prostitutas, bem próxima da zona onde de localizava o Terra e Mar.
5 Id. ibidem.
6 João Luís de França era trabalhador no porto e a antiga Rua do Suvaco tem hoje seu nome. Entrevista com o Sr. Euclides Negreiros, já citada.
7 Entrevista com o Sr. Euclides Negreiros, já citada.
8 TRÉVIA, José Maria S. Uma janela para o passado. Contos. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora Ltda. 2007, p.12.
9 Entrevista com o Sr. Euclides Negreiros, já citada.
10 VIANA, Aroldo. Bloco do Treco. O Literario, Ano IV, edição 04, julho-agosto/2002 p.4. Camocim-CE. Acrescento a estes: A Fome se diverte, Balança mas não cai, dentre outros.
11 Prefeitura Municipal de Camocim. Empenho. Exercício: 1971. Nº 065. 

Foto ilustração: maiscamocim.ning.com.

terça-feira, 15 de março de 2011

A CHEGADA DO CALÇAMENTO

À medida que os aglomerados urbanos vão crescendo, os problemas e as demandas vão aumentando. A antiga vila quer ter foros de cidade, a cidade quer infraestrutura básica - a energia elétrica, a escola, o posto de saúde, o mercado público, a água encanada, dentre outros serviços. Quando me entendi no mundo descobri onde habitava: uma casinha no final da Rua General Tibúrcio, sentido praia-sertão, defronte do sítio do Seu Zé Guilherme, pai do Vavá. Ao lado dela um "munturo" (a carroça do lixo ainda não passava por lá), e o areal dominava a via pública dificultando o trânsito dos poucos carros de então. Hoje, a rua chama-se de General Tibúrcio Cavalcante, que não é o mesmo da denominação inicial, fato já denunciado por mim à Câmara Municipal, mas, ninguém fez nada. Posteriormente morei na Rua Riachuelo e 24 de Maio, e a areia continuava presente para atestar a incapacidade dos administradores ou a falta de verbas para pavimentar a cidade. É isso: a pavimentação é outro serviço que serve e servia como moeda de troca eleitoral. Votem em mim que eu faço o calçamento dessa rua. Este preâmbulo é para dizer que sempre haverão demandas numa cidade e que o administrador deve prestar atenção nelas, no sentido de bem aplicar os impostos pagos pelos cidadãos que moram na cidade. Desta forma, a primeira rua de Camocim a ser pavimentada com pedra tosca foi a atual Rua Dr. João Thomé, antes Rua do Comércio, o centro da cidade de então, proporcionado pelas atividades do porto e da ferrovia. A foto mostra o flagrante de crianças diante do cavalete disciplinador, brincando na rua, agora calçada, mas, delimintando fronteiras ("Não Passe!). Representa também a prova de que a adminstração da época estava trabalhando para melhor dotar a cidade dos serviços básicos.

Foto: arquivo do blog.

terça-feira, 19 de abril de 2011

NO OLHO DA RUA - GENERAL TIBÚRCIO



A pedido de amigos internautas inauguro uma nova sessão no blog "NO OLHO DA RUA", falando da nomenclatura das ruas de Camocim, antigas e atuais, no intuito de contextualizar o lugar onde moramos. Para começar, enfocaremos a "Rua General Tibúrcio", que virou, depois de uma troca de placas no final de 2004 em "Rua General Tibúrcio Cavalcante". Será o mesmo homenageado? Poderia até ser, como foram os casos da mudança de "Rua Marechal Floriano" para "Rua Marechal Floriano Peixoto", ou "Rua Marechal Deodoro" para "Rua Marechal Deodoro da Fonseca". No caso em tela não, visto que o cidadão homenageado inicialmente fora Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa (1837-1885), viçosense nascido em 11 de agosto de 1837. Herói da Guerra do Paraguai, General Tibúrcio é nome de praça em Viçosa e Fortaleza e em Camocim foi homenageado por essa condição de herói, juntamente com nome de ruas que lembram as batalhas daquela sangrenta guerra (Paissandu, Humaitá, Riachuelo, 24 de Maio). Já o outro Tibúrcio é Manuel Tibúrcio Cavalcanti, (1882-1939) grafado com "i" e não com "e" como está nas placas em Camocim, nasceu em Morada Nova e faleceu como coronel do Exército, em Curitiba, Paraná, quando dirigia a Rede Viação Paraná – Santa Catarina, Além de militar era formado em Engenharia e integrou a Comissão Rondon por12 anos, sob a Chefia do General Rondon. Foi nomeado prefeito de Fortaleza, no início dos anos 1930 e exerceu a Secretaria dos Negócios da Fazenda até 1934. Denunciamos o fato à Câmara Municipal, mas, parece que ficou no rol do esquecimento. Talvez algum dia alguém pegue um balde com tinta preta e corrija este erro.
Foto: Blog Camocim Online

segunda-feira, 5 de março de 2012

AS OFICINAS DE TRENS DE CAMOCIM

A Rua do Egito povoou minhas lembranças muito fortemente nos últimos dias, principalmente a memória das tardes nos campinhos de futebol e dos moleques mais corajosos que subiam as paredes da bocarra da velha cacimba e "pulavam de cabeça" na água do grande poço que enchia com os bons invernos. Por outro lado, as ruínas das "Oficinas" eram pra mim um grande monumento que desafiava minha imaginação de como aquilo teria sido em seu auge. Só muito depois, homem já feito e pesquisador da história da cidade, é que os testemunhos desta época me chegaram via lembrança da Rua do Egito, como assinala Avelar Santos em crônica esclarecedora daqueles tempos: a rua era habitada por “trabalhadores das Oficinas, gente do povo, pequenos comerciantes. Era uma rua tranqüila, mas efervescente (SANTOS, Avelar. Rua do Egito. In: O Literário. Ano VII, Edição 04, fevereiro de 2006. Camocim-CE, p.2.).

  1. Oficinas de Camocim. Observe-se ferroviários no pátio das oficinas da ferrovia quando as mesmas funcionavam a pleno vapor, hoje em ruínas. Foto de domínio público.
  Um outro estudioso, Pe. Luís Ximenes, em Paixão Ferroviária, rememora sua rua e seu fascínio pelos trens: “Menino da Rua do Egito em Camocim, filho de maquinista, morando à beira da linha, eu terminei ficando com o trem no sangue, como diz Rachel de Queiroz”. Este espaço foi o universo das brincadeiras infantis destes filhos de ferroviários e a falta do trem, tempos depois, parece ferir-lhes a alma. Pe. Luís Ximenes lamenta: A quadra das antigas oficinas de Camocim, cercada de uma muralha, transformou-se num verdadeiro Saara, e tudo sem o trem ficou mais deserto, sem um oásis, sem um pedaço de ferro, sem bigorna, sem uma única sombra de uma velha maria-fumaça. Anos atrás, ainda havia o consolo da presença de sucatas que eram vistas como relíquias pelos olhos dos saudosistas. Hoje, nem mais sucatas, e Camocim correndo atrás de um trem que anda fugindo dele, como Juca Mulato corria atrás de seu sonho de amor sem poder tocá-lo nunca. (XIMENES, Pe. Luís. Paixão Ferroviária. p.11-2). Fosse Camocim um município que cuidasse de sua história, algum projeto de recuperação, revitalização e um novo uso daquele espaço, já teria tido a atenção dos seus governantes. Enquanto isso, vamos vivendo de lembranças...




sábado, 25 de março de 2023

UMA RUA, DOIS GENERAIS. O CASO DA RUA GENERAL TIBÚRCIO EM CAMOCIM

 

Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa.´Foto: Sébastien Auguste Sisson.


    Há muito tempo já denunciei neste espaço o erro contido nas placas da Rua General de Tibúrcio em Camocim. Explicando o caso: a referida rua, desde 1930 chamava-se Rua General Tibúrcio, uma homenagem ao general Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousanascido em 11 de agosto de 1837 em Viçosa do Ceará, combatente na Guerra do Paraguai e falecido em Fortaleza, em 28 de março de 1885.



Manuel Tibúrcio Cavalcante. Fonte: coisadecearense.com.br

        No entanto, por volta de 2010 a administração municipal trocou as antigas placas por novas, mas trocou também o nome de algumas ruas e atualizou outras. No caso da Rua General Tibúrcio, transformou-se em Rua General Tibúrcio Cavalcante, também cearense, nascido em Morada Nova-CE, como Manuel Tibúrcio Cavalcante, em 24 de dezembro de 1882, quando a Guerra do Paraguai já havia terminado há 12 anos. Como militar participou ativamente como Engenheiro-Ajudante da construção das linhas telegráficas de Mato Grosso, sendo chefiado pelo famoso Marechal Rondon.
    Identificado o erro de nomenclatura levei o caso na Câmara Municipal de Camocim. Os vereadores votaram a retificação, contudo, o "Tibúrcio Cavalcante" continua incólume nas placas ainda hoje, repetido nas correspondências e, no caso, tomando o lugar do outro.

sábado, 27 de outubro de 2018

CARTAS DE CAMOCIM


Camocim, 31 de março de 1988.

Caro Dr. Sócrates,


Só agora, superado meus medos, posso contar-lhe algo que vi quando tinha sete anos, aqui mesmo em Camocim na Rua General Tibúrcio (só agora sei que esse Tibúrcio foi aquele que lutou na Guerra do Paraguai, nascido em Viçosa, e não o Tibúrcio Cavalcante que vai no endereço dessa carta). Usarei nomes inventados nesta missiva.Pois bem, como o doutor sabe, desde criança moro nessa rua, quando ainda ela era um imenso areal e a casa que se distinguia era aquela que ficava dentro do sítio do Sr. José Guilherme. Outro ponto a destacar nessa rua de casas baixas e pobres era um "munturo" que ficava na esquina, defronte da bodega do Libório. Pois bem, a imagem que não me sai da cabeça e agora está voltando fortemente nos meus sonhos, vinte anos depois, é a de um policial conduzindo um homem pela rua em pleno meio dia, açoitando-o, de mãos amarradas para trás e de cabeça raspada. Atrás deles, algumas crianças gritando ruidosamente. Depois vim a saber que se tratava de um ritual rotineiro quando a polícia prendia aqueles ladrões de galinha de então... Mas, o meu problema se agravou, doutor. depois que descobri recentemente que aquele mesmo policial era o delegado local que vez por outra ia até a Baiúca, uma casa de rende-vous que ficava no final da rua, quase esquina com a João Pessoa, com dois pés de ficus benjamim na frente, com a intermediação da cafetina dona do local, desvirginar menores para o seu deleite sexual, com promessas de comida e vestido. Só para exemplificar, acho que o senhor conhece, as duas filhas do Quelemente lá das Flamengas sucumbiram à tara do delegado. A irmã do Zé Valente das Moreias, também foi engabelada pelas promessas dos dois. Quando foi embora daqui, o tal delegado pavoneava: - Só em Camocim tirei cabaço de mais de cem! Não sei se foi castigo, mas ele veio a morrer mês passado, de morte tão horrível que não sei como descrever... Talvez por isso esteja lhe contando somente agora.
Do seu fiel paciente...

P. S. Estou pensando em parar com os remédios....
Foto: Rua General Tibúrcio. Fonte: Google.

sábado, 7 de janeiro de 2012

GEOGRAFIA BOÊMIA DE CAMOCIM - PARTE 1

Outro dia numa mesa de bar, eu, o decano locutor Inácio Santos, o Cabo, garçom, relembrávamos no Bar do Grijalba a sequencia dos nomes do lugar de boemia localizado na esquina das ruas Dr. João Thomé com Humaitá. O lugar, hoje em ruínas, foi, por muito tempo um point da juventude camocinense. Informação prá cá, discussão prá lá, chegamos a um consenso que espero ser o verdadeiro. O lugar teria começado com o nome de Moenda Restaurante, depois Manzuá, posteriormente V-8 e, finalmente, Vereda Tropical. Ressalte-se que as duas últimas denominações teve no comando o amigo Toinho, filho do velho Cazumbi. Bastou isso, para reavivarmos nomes de antigos lugares de boemia e dança, discoteques, forrós, cabarés, dentre outras denominações, que frequentávamos ou não. Puxamos pela memória e saiu o Grêmio São João (onde minha mãe dançou muito!) na Rua Santos Dumont, próximo à antiga Oficina do PQ. Perguntei onde teria sido o tal Clube das Morenas que vi nuns documentos mas ninguém soube informar. Inácio lembra que antes de ser Sítio Forró Legal, o local era chamado de Cascata Clube sob direção do amigo Paparuá. Na mesma rua, ficava o Xangô, administrado pela amiga Barrinha, recentemente falecida. Nomes do passado e de um presente recente se embaralhavam na conversa. Cabo lembrou a Churrascaria Camocim na Rua 03 de Outubro (Rua Antonio Zeferino Veras) que animava as tardes de domingo de Camocim. Eu lembro do Clube do Louvores na mesma rua. Na Rua Perimetral, a turma relembra do Rancho Alegre, Sibonei e Ambrolândia . Não deixamos de lado o bom e velho Clube do Agostinho, local para se ir nas noites de domingo animado pelo Conjunto da Mirian (Faísca Som, Força Total, dentro outros) e Embalo Jovem, perto da Rodoviária, além do  Pala Rock na mesma praça. Foi lembrado as festas animadas pelo "Som do Pedro Carlos", o som mecânico mais aparelhado da década de 1990, mas isso é uma outra história...

domingo, 15 de setembro de 2013

III SC 09 - AS ANTIGAS CACIMBAS DE CAMOCIM

Cacimba. Fonte: daylawell.blogspot.com
Não sou tão velho assim, mas as cacimbas até bem pouco tempo atrás faziam parte do nosso cotidiano. Para sempre se perderam as conversas e outros tipos de relações que esses encontros no pé da cacimba proporcionava. Com a modernidade e com as novas exigências no campo da saúde e da higiene, ter água tratada por um sistema de abastecimento passou a ser imperativo para cidades do porte de Camocim. Com a chegada da água encanada, as cacimbas foram perdendo espaço nos quintais das casas, sendo demolidas e aterradas, à medida que as casas iam adquirindo o serviço do SAAEMinha primeira relação com uma delas foi a que existia na casa do Sr. José Guilherme (pai dos amigos Olivar e Ozenard). A boca era tão alta que eu, garoto de sete, oito anos de idade, tinha que ficar nas pontas dos pés para alcançar o balde. Depois mudamos para a Rua 24 de Maio (Rua do Egito). Na casa que meu pai comprara tinha uma cacimba menor, que no inverno de 1974 encheu até à boca, jorrando água para fora. Nessa cacimba tinha uma bomba manual que facilitava o serviço de tirar água. Nos invernos "fracos", lembro que foi a cacimba do Sr. Mário Monteiro, na General Tibúrcio que salvou muita gente das redondezas. Se retrocedermos na história, as cacimbas tiveram importância capital para aliviar os rigores das secas. Teve uma "cacimba do padre", que os registros dizem ter sido localizada por detrás da Igreja Matriz. Na Praça Pinto Martins, uma cacimba servia a quem se utilizava do Mercado Público e era um dos poucos bens que a municipalidade registrava no final do século XIX.  Acho que ainda hoje ela deve estar camuflada entre os quiosques da referida praça. No pátio da Estação Ferroviária um grande cacimbão quase em frente da nossa casa da Rua do Egito, era o local preferido dos jovens das ruas próximas todas as tardes, que escalavam a grande boca e pulavam de cabeça desafiando o perigo que representava os trilhos jogados lá dentro, segundo diziam. Com o tempo, animais mortos e lixo foram sendo jogados nesse local tornando impraticável esse divertimento. Contudo, lembro que um jovem desavisado, empolgado com as peripécias do amor, achou de namorar justamente na boca desse cacimbão e, não se sabe como, acabou caindo nele com a jovem parceira a tiracolo. Foram socorridos pelos moradores em plena madrugada.  A partir daí passou a ser chamado de outra forma, carregando para sempre o "Cacimba" no nome. Com a ajuda de leitores do Camocim Online registramos ainda a antiga Cacimba da Prefeitura "onde toda manhã os detentos faziam suas faxinas na limpeza das celas e onde depois do jogo no campo ao lado do prédio da Prefeitura, a gente ia se refrescar, tomando banho, quando o pai do Chico Pedim, deixava "Seu Pedrinho"", diz-nos o leitor Serrote. Já o Programa Última Trombeta recorda de: "Uma das cacimbas mais conhecidas e que mais serviu o povo de Camocim, com água de boa qualidade, foi a da dona Paty (Vila Paty - travessa rua da República). Os irmãos Jairo (gago) e Jonas vendiam a água dessa cacimba em "ancoretas" (pequenos barris de madeira), transportada em lombo de jumento. Era como beber água mineral. O gago gritava: "olha a ácua boa, pessoal"! E para fechar o professor Olivando Almeida registra:"Na Rua Quintino Bocaiúva, no bairro do Cruzeiro, tinha uma cacimba bem no meio da rua, onde muita gente ia pegar água. Inclusive, a dona Alzira, uma senhora que passava a madrugada pegando água para lavar roupas. Alguns moradores dizem, que de vez em quando, na calada da noite, se ouve o ringido do carretel. Será visagem? E você, tema a sua cacimba na mente?

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O ANTIGO CENTRO COMERCIAL DE CAMOCIM. (IX SC 2019. 04)

Estação Ferroviária de Camocim. Primeiras décadas do séc. XX. Fonte: Instituto Histórico do Ceará.

Se você chegasse em Camocim no ano de 1919, o que encontraria, exatamente há cem anos atrás? Primeiramente o centro comercial e social estaria nas imediações do porto e da estação ferroviária. Visitantes e observadores em suas crônicas de viagens, quase sempre retrataram este espaço como o mais fervilhante e próspero da cidade. Senão vejamos, tendo como fonte o jornal Folha do Littoral, editado em  nossa cidade nesta época.
Comercialmente falando, era na Rua da Estação que ficavam os principais estabelecimentos comerciais e os escritórios de serviços prestados por profissionais liberais. Deste modo, a Associação Commercial de Camocim (assim grafada) em 1919, funcionava no Cine Phenix (atual Promotoria Pública), que, além deste também existia o Cine Smart. As representações de agências de vapores, como a The Amazon River Navigation, Companhia Comercio e Navegação e A. Borges & Cia, ficavam na casa bancária Nicolau & Carneiro. Na firma J. Adonias & Cia, tinha a representação da Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão. Já a T. Navarro era representante da Empreza de Navegação Mosqueiro e Soure e o Lloyd Brasileiro era representado pela firma Albuquerque & Cia.
Na diversidade comercial de então, você poderia encontrar desde a firma retalhista Elias Asfora & Cia; a casa "A Italiana" e o Bar Commercial, além da Pensão Urbina;  Alfaiataria Central e a Typographia Folha do Littoral.
As repartições também ficavam na Rua da Estação. Os Correios, comandado por D. Maria J. Magalhães;  a Meza de Rendas Estaduaes sob o comando do Cel. Thomaz Zeferino Véras. Moravam na Rua da Estação, o prefeito municipal, Tasso Napoleão; o delegado de polícia, Cel. José Severiano de Carvalho; o delegado de hygiene, Cel. João Nicolau F. Cavalcante.
Dominando toda essa configuração urbana, tínhamos a imponente Estação Ferroviária de Camocim pertencente à Estrada de Ferro de Sobral, que naquele momento era dirigida pelo Dr. Eduardo Monte.
Este centro comercial pode ser ampliado se levarmos em conta os pontos comerciais instalados nas ruas adjacentes como a Rua Senador Jaguaribe, Travessa Dr. João Thomé, Travessa Dr. Privat e Rua da Igreja. Mas essa é uma outra história!



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

OS CARNAVAIS DE OUTRORA - PARTE III

Bloco do Treco. Camocim-CE.1967.  Fonte: Arquivo Aroldo Viana.

Das lembranças que tenho do carnaval de rua de antigamente em Camocim, uma que não me sai da cabeça é o Bloco dos Marítimos, puxado pelo incansável Saraiva e seu apito ensurdecedor. Ficar nas calçadas e janelas da Rua do Egito para ver os blocos passarem era a minha maior diversão.
Na postagem de hoje o destaque é para o Bloco do Treco (foto) que animou as ruas e os bailes nos anos 1960. Referido bloco era formado por rapazes e moças de classe média. Segundo um dos seus ex-integrantes, Aroldo Viana, o maior rival deles era do Bloco dos Marítimos. Nesta mesma época tinha ainda os blocos: “Odaliscas do Rei Salomão, Vai-quem-quer, Não dô cavaco, Bloco do Zorro, Os Intocáveis, União, Zombando do Azar, dentre outros.
Ainda sobre o carnaval de rua, ficou para a posteridade uma crônica do saudoso escritor camocinense Arthur Queirós, da qual reproduzimos este trecho:

 No carnaval de outrora, em Camocim, apareciam muitos blocos populares, carnaval de rua. Eram de estivadores, dos portuários, dos salineiros, dos pescadores, dos marítimos e vários outros, que recebiam até, estímulo da prefeitura, mediante premiação aos que melhor se apresentassem, mediante a classificação de criteriosa comissão julgadora.

Portanto, vários blocos foram fundados e animaram o período momino sem esquecer do onipresente "Bloco dos Sujos" que, segundo ainda nosso cronista, os foliões “[...] passavam tisna de panela no rosto todo, nessas ruas todas e iam parar lá na casa de João Luís de França, que tinha o nome de rua do Suvaco, imagina que nome, e ali era a farra". 
Bom carnaval e que nos divirtamos em paz.

Fontes:QUEIRÓS, Artur. Coisas e fatos. O Literário, Ano II, edição 8, fevereiro de 2000, p.3. Camocim-CE. 
 VIANA, Aroldo. Bloco do Treco. O Literario, Ano IV, edição 04, julho-agosto/2002 p.4. Camocim-CE. 

terça-feira, 24 de maio de 2011

DE OLHO NA RUA - 24 DE MAIO


Se perguntarmos o motivo da denominação da Rua 24 de Maio, pouca gente saberá. A dúvida aumentará ainda, se indagarmos o porquê dessa data ser lembrada em outras cidades e capitais do Brasil. Pois é, 24 de Maio é a data da Batalha de Tuiuti ocorrida em 1866 às margens do lago de mesmo nome em território paraguaio, na famigerada e sangrenta Guerra do Paraguai. Feito essa explicação, é preciso dizer que há muito tempo atrás havia uma recomendação constitucional de que os municípios nomeassem suas ruas e logradouros com nomes de heróis e fatos da História do Brasil. Isso explica o porquê do nome de tantas ruas no Brasil inteiro com denonimações tipo: 24 de maio, Independência, Santos Dumont, Marechal Floriano, República, só para citar estes. Camocim seguiu à risca esse dispositivo, principalmente com relação às batalhas da Guerra do Paraguai: Humaitá, Paissandu e Riachuelo. Tenho a impressão que escolheram 24 de Maio por ser mais interessante aos ouvidos do que Tuiuti. Em Camocim, acho que é a maior rua da cidade, visto que atravessa a cidade de norte a sul e tem algumas particularidades como chamar-se antigamente Rua do Egito entre as ruas General Tibúrcio (nome verdadeiro) e Duque de Caxias. Este trecho de rua já foi imortalizado na pena do Prof. Avelar Santos e outros cronistas camocinenses em crônicas de jornal, visto que é exatamente este trecho que fica defronte ao antigo pátio de manobras do trem da extinta Estrada de Ferro de Sobral, e onde moravam grande parte dos ferroviários.

Foto: Batalha de Tuiuti. Fonte: Internet

sábado, 21 de setembro de 2019

AS ÁRVORES DE CAMOCIM. MONGUBEIRAS. (IX SC 2019. 11)

A monguba é uma bela árvore tropical, de caule frondoso e copa arredondada, capaz de alcançar 18 metros de altura. Nas florestas tropicais podemos encontrá-la em ambientes brejosos, ou à margem de rios e lagos, o nome científico “aquatica” provém desta característica. Apresenta folhas grandes e palmadas, dividas em 6 a 9 folíolos verdes e brilhantes. As flores são muito bonitas e perfumadas, com longos estames de extremidade rosada e base amarela. Os frutos grandes e compridos, semelhantes ao cacau, contém paina sedosa e branca que envolve as sementes. As sementes da monguba podem ser consumidas torradas, fritas ou assadas, e até trituradas como um sucedâneo do café ou chocolate, e diz-se que são muito saborosas.
Mongubeira na Rua Humaitá. Camocim- CE. Fonte: google maps. 2012.
Afora uma castanholeira centenária que existia no pátio das oficinas da Estrada de Ferro, creio que as mongubeiras em Camocim foram as primeiras espécies a serem plantadas na zona urbana de Camocim. Existiam várias, mas o tempo e o homem quase acabaram com elas. Tenho a impressão que elas demarcavam pontos do perímetro urbano face às suas localizações no traçado antigo da cidade. Atualmente, restam alguns exemplares desta árvore frondosa, da família das malváceas, localizados na Rua da Independência, ao lado do Mercado Público; na Rua José de Alencar, próximo à Caixa Econômica Federal; no lado oeste da Igreja Matriz resta uma e outra na Rua Humaitá, próximo ao Bar do Grijalba. 
Esta tem uma história singular. Localizada defronte de uma residência, o dono da casa um dia achou por bem sacrificar a velha árvore. Mandou fazer uma poda rigorosíssima, deixando praticante o tronco, sem folhas. Não se dando por satisfeito, pois notara que a árvore reagia colocando alguns brotos de fora, tratou de atear fogo na base de uma fenda existente no tronco. Vendo a "arrumação" do sujeito, a turma que estava bebendo no Bar do Grijalba correu lá e impediu o desastre total, entre ameaças ao incendiário, inclusive acionar o IBAMA. Apagaram o fogo e hoje ela ainda resiste como símbolo da persistência, enverdecendo e fazendo sua função de purificar o ar naquela rua.
Falando um pouco mais sobre as monguberias: "As mongubas são árvores de excelente efeito decorativo, amplamente utilizadas na arborização urbana e rural. As plantas jovens envasadas são excelentes para ambientes internos bem iluminados. Os países asiáticos são importantes produtores e exportadores da planta nesta forma. Ela é disposta nos ambientes de acordo com o feng shui e a ela é atribuída reputação de atrair dinheiro e prosperidade. É conhecida como money tree ou árvore-do-dinheiro. Geralmente são vendidas plantas com três ou mais caules trançados para que formem apenas um tronco de aspecto decorativo".

sábado, 20 de fevereiro de 2021

NOSSOS LUGARES ANTIGOS. SÃO BRÁS.

Entrada antiga do São Brás, atualmente Rua Primeiro de Maio. Fonte: Google Maps. 

Meados da década de 1970,  num tempo em que o lado oeste da cidade era limitado pela "Carroçal" que era a estrada Camocim-Granja, hoje Rua Antonio Zeferino Veras, que já foi 03 de Outubro, havia uma grande faixa de mata fechada, que vinha desde a Rua Perimetral até o Campo da Aviação, singrada de pequenos caminhos que então chamávamos de "veredas".

A faixa de terra, que até outro dia pontificava o então Hospital São Francisco, era chamada de São Brás. Da "Carroçal" iniciava-se uma vereda que dava num córrego. que na sua extensão ia dar no Lago Seco. Toda essa área era usada como pasto para animais de pequenos criadores, como o meu pai, dono de uma única vaca, comprada com o objetivo de suprir a carência de leite da sua prole.

Eu era o vaqueiro da nossa fonte de leite "mugido" e coalhada. servida à tardinha com açúcar e farinha. Todo dia eu tinha essa missão de, após a ordenha, conduzir a vaca até a mata do São Brás, com a recomendação de não sair do trajeto - rua General Tibúrcio, passando pela Baiúca, hoje trecho da rua João Pessoa, atravessar a "carroçal" e adentrar na mata, sem jamais se aproximar de uma casa em meio à mata que diziam ser de um macumbeiro local.

Todas estas recordações me vieram à mente ontem, quando atravessei toda essa faixa de terra. loteada e sendo urbanizada com residências, oficinas e até academia.

Em tempo: São Brás nasceu na Armênia e antes de se consagrar na vida religiosa, foi um médico muito requisitado. "São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas, por amor a Cristo e pela Igreja preferiu renunciar à própria vida. Em 316 foi degolado".

Coincidência ou não, O lugar chamado São Brás, que era médico, foi palco de um sonho de outro médico, Dr. Wilson que denominou seu hospital com o nome do santo de sua devoção: São Francisco, hoje, infelizmente, em ruínas.

Fonte: https://santo.cancaonova.com/santo/sao-bras-medico-e-pastor-das-almas/

domingo, 28 de agosto de 2011

DE OLHO NA RUA - BAIRRO BOA ESPERANÇA


Duas imagens permanecem vivas em minha mente sobre o espaço e os limites que hoje se constitui o Bairro Boa Esperança: o campo de futebol Catingueira, onde hoje se encontra erguido o "Colégio Novo" e o São Braz, terreno que posteriormente foi construído o Hospital São Francisco. No primeiro lugar, meu pai uma vez me levou para assitir uma partida de futebol (Ah! as recordações domingueiras). No segundo, final dos anos 1970, diariamente meu pai me mandava deixar um vaca para pastar no São Braz. Pois é, já fui vaqueiro de uma vaca só. Com o crescimento da cidade, a urbanização atingiu a parte oeste, onde o Bairro da Boa Esperança pontifica como um dos maiores bairros da cidade, senão o maior em termos populacionais. A origem se deu com a doação do terreno pelo então político e militar Coronel Libório Gomes da Silva às Irmãs Capuchinhas de Camocim que lotearam o terreno, cuja renda se reverteu para o soerguimento do Instituto São José. Em 1991, a Câmara Municipal de Camocim oficializou a denominação, conforme Oficio Nº 044/91 de 9 de dezembro de 1991, transcrito abaixo:
"Senhor Prefeito. Encaminho a V. Sa., o Projeto de Lei Nº 03/91, oriundo do Sr. Vereador Araújo Brito, que denomina de "Boa Esperança", o bairro situado entre a "Perimetral, ao Norte, "São Braz", ao Sul, "3 de Outubro", a leste e "Antonio Magalhães" a Oeste. Referido Projeto de Lei foi aprovado por unanimidade na Sessão Ordinária realizada nesta Câmara, no dia 06 de Dezembro do corrente. Nesta oportunidde, reitero a V. Sa, meus protestos de elevada consideração e apreço. Saudações.
Luciano Trévia
Presidente".


OBS: Há um erro com relação aos pontos limites norte e sul, que na verdade, estão trocados. A Rua Perimetral fica ao Sul e a antiga Rua 3 de Outubro ao Norte.

Fonte: Câmara Municipal de Camocim.


Foto:
Rua Niterói. Bairro Boa Esperança. www.noticiasdagranja.blogspot.com

sábado, 20 de setembro de 2014

IV SC 05 - PATRIMÔNIO FERRO PORTUÁRIO DE CAMOCIM - ÁREA DE PROTEÇÃO

Fonte: IPHAN/Ceará.



Na postagem anterior falamos do estudo que instruiu o tombamento do Complexo Ferro Portuário de Camocim. Hoje, falaremos sobre o que seria a área tombada prevista para a criação de um Parque Ferroviário dentro desse complexo, conforme mostra a foto acima. A área seria a circundada em vermelho na foto. No texto de instrução elaborada pelo Iphan temos:

Memorial descritivo de um imóvel situado na Esplanada de Camocim, Centro, no município de Camocim, pertencente ao acervo da Rede Ferroviária S.A.- RFFSA (extinta), patrimônio 1020008/8-000, denominado Esplanada Camocim, registrado no Cartório André- 2° Ofício, Matrícula 1.756, Livro 2- F, Fls. 35, de 30.06.1993, com desmembramento da área destinada alienação através de edital, conforme planta de situação em anexo, cujas confrontações são as seguintes: 

Ao Norte (Frente): Segmento 1-16, mede 36,00m, limita-se com a Praça Vicente Aguiar (anteriormente denominada 7 de Setembro); Segmento 14-15, mede 238,00m, limita-se com a Rua General Tibúrcio;

Ao Sul (Fundos): Segmento 9-10, mede 29,00; limita-se com a área a ser desmembrada, pertence a RFFSA; Segmento 11-12, a Rua Boa Vista (Bairro Salgadinho).

Ao Leste (Lado Direito): Segmento 1-2, mede 70,00m, Segmento 4-5, mede 16,00m, Segmento 5-6, mede 35,00m, segmento 6-7, mede 5,50m, Segmento 7-8, mede 81,00m, limita-se coma Rua dos Coqueiros e Segmento 10-11, mede 214,00m, limita-se com a área a ser desmembrada, pertencente a RFFSA.

Ao Oeste (Lado Esquerdo): Segmento 12-13, mede 22, 00m, Segmento 13-14, mede 160,00m, limita-se com a Rua 24 de maio.


No terreno encontram-se erigidas as seguintes edificações:
-       Estação Ferroviária de Camocim, com área construída de 2.104,24 m² , em bom estado de conservação;
-       Residência do Diretor Geral, com área construída de 439,87 m², em regular estado de conservação;
-       Residências do Inspetor, Agente e Mestre de Linha, com iguais áreas construídas de 194,36m² em regular estado de conservação;
-       Galpão atrás da Estação Ferroviária, com área construída de 393,62m², em precário estado de conservação;
-       Galpão à Esquerda da Estação Ferroviária, com área construída de 238,76m², em ruínas;
-       Oficinas, com área construída de 3.701,84 m², em ruínas;
-       Residência do Mestre das Oficinas, com área construída de 235,31m², em regular estado de preservação;
-       Caldeira, com área construída de 17,94m², em ruínas.

-       Almoxarifado com área construída de 1.005,72 m ², demolido.

Ainda segundo o documento, recomenda-se criação de um parque na área tombada. Na próxima postagem apresentaremos mais detalhes da proposta de tombamento.

Fonte para citação: Texto Base de Instrução de Tombamento. Iphan-CE, p.17.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

O 13 DE MAIO EM CAMOCIM E A ESCRAVIDÃO



Fonte: https://curitibaspace.com.br/rua-treze-de-maio/ 


Antigamente o 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura, era mais do que uma data magna. Era feriado. Nesta data, era comum os discursos de louvação à Princesa Isabel e ao seu ato que "libertou" os escravos do Brasil (13 de maio de 1888). Com o revisionismo histórico a data foi perdendo espaço para uma outra, o da morte de Zumbi dos Palmares (20 de novembro de 1965), líder do maior quilombo do Brasil. O 20 de Novembro é hoje consagrado como o Dia da Consciência Negra no Brasil.

Como Camocim também é Brasil, os ecos da escravização negra também chegou por aqui. Neste sentido, arrumando melhor o nosso blog Camocim Pote de Histórias, você pode encontrar postagens relacionadas com o tema, abaixo relacionadas:

 "O Traficante e a Escrava";  "Firmino Beviláqua - o traficante de escravos"; "Porto de Camocim na rota da liberdade escrava"; "O Escravo Raymundo de Camocim"; "Escravos e a Estrada de Ferro de Sobral"; "A Escravidão em Camocim (2015)" e a "SC-5. A Escravidão em Camocim. (2011).

No entanto, confesso que ainda é muito pouco, mas, já é um começo para que outros pesquisadores possam aprofundar esta questão em nosso município.

Em tempo: Camocim JÁ TEVE uma rua como o nome 13 DE MAIO, em alusão á data da Abolição dos Escravos. Atualmente, é a RUA ALCINDO ROCHA (Antonio Alcindo Rocha), ex-prefeito, nomeado na Era Vargas e que ficou 03 (três) meses no comando do município (Julho a Outubro de 1945).

Foto: https://curitibaspace.com.br/rua-treze-de-maio/