quarta-feira, 14 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM II - OS DOCUMENTOS DA VILLA

Oficio nº 42 de 31 de dezembro de 1887. Câmara Municipal de Camocim.


A história é deveras fascinante! No momento atual vivemos mais um período eleitoral com todas as suas anomalias, trâmites, vicissitudes, jogos de cena, festejos, desejos inconfessos, promessas e interesses outros.
Para o então município que se formava, ainda não éramos nem cidade, apenas uma vila recém criada, as eleições talvez ainda não tivesse toda essa complexidade, mas já apresentava os nomes das pessoas que tinham o destino de comandar o novo município desmembrado do município de Granja, posto que, naquela época, as câmaras municipais tinham também a função de executivo.
O ofício em questão trata apenas da acusação do recebimento de um oficio do Presidente da Província do Ceará que incluía o "Decreto Legislativo nº 3340 de 14 de outubro de 1887" com as orientações sobre as alterações do pleito eleitoral para os representantes da Assembleia Provincial e Câmaras Municipais.
A Câmara de Camocim desta época era composto por:

Lionel Dias da Fonseca - Presidente
Luís Gomes de Lima
Antonio Nogueira de Carvalho
Custodio Archanjo Soares
Serafim Melo de Freitas.

Fonte: Site do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM I - A CIDADE NOS ANOS 1940

Trecho da Rua 24 de Maio e Largo da Matriz. Camocim. 1941. Fonte: Revista Cruzeiro, RJ.

Em março de 1941 a Revista Cruzeiro, a maior revista de circulação nacional àquela época fez uma matéria especial sobre nossa cidade. Nos anos 1940, o município experimentava os fatores positivos do movimento do nosso porto e da estrada de ferro. Vejamos um trecho da referida reportagem, entremeada de algumas tomadas fotográficas de nosso traçado urbano:

"O município de Camocim um dos mais importantes do Estado do Ceará, possuindo uma população de 22.750 almas, é banhado pelo Oceano Atlântico, ao norte, e pelo Rio Coreaú, a leste, que lhe offerece excelente ancoradouro situado na cidade de mesmo nome e que é a sede do município.
O porto de Camocim é visitado, no seu ancoradouro interno, pelos vapores de pequeno calado do Lloyd Brasileiro, da Companhia Commercrio e Navegação, do Lloyd Nacional e de outras empresas particulares.
O município de Camocim é também servido pela Estrada de Ferro de Sobral, que o atravessa de norte a sul, sendo seu ponto inicial a cidade de mesmo nome.

A foto acima foi feita do alto da torre da Igreja Matriz e mostra um trecho da atual Rua 24 de Maio, Na época,, o prefeito era o Sr. João da Silva Ramos que, no decorrer da reportagem, faz uma uma espécie de prestação de contas de sua administração. Eãom postagens posteriores, forneceremos maiores detalhes desta publicação.

 Fonte: Revista Cruzeiro, RJ. 29 de março de 1941, p. 49.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM

Canoas Olímpicas. Camocim. 2015. Foto: Vando Arcanjo.
Caros conterrâneos e internautas que acessam sempre o CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, como fazemos há cinco anos, iniciaremos hoje mais uma temporada especial de postagens. Desta feita, será o VI SETEMBRO CAMOCIM, mais uma contribuição singela à história do município, por ocasião do mês de aniversário que marca os 137 anos de nossa emancipação política. Como sempre, procuraremos trazer postagens e matérias inéditas que despertem o nosso gosto pela nossa história e procurando desenvolver uma consciência crítica de preservação e ressignificação da mesma. Neste ano esperamos contar com a colaboração valiosa dos alunos da Turma de História da UVA/PARFOR/CAMOCIM como forma de exercitarem o que estão experimentando no curso.  Mãos á obra?!

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

O PORTO DE CAMOCIM NA VISÃO DO HISTORIADOR FRANCÊS

Capa da obra Brésil au xx' siècle de Pierre Denis
. Fonte: ebay.fr
Muito já falamos sobre o Porto de Camocim e sua importância para o desenvolvimento da economia regional para a zona norte do Ceará no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Com efeito, a historiografia sobre o período sempre destacou esta peculiaridade. Deste modo, para efeito de ilustração, trazemos á lume um trecho da obra Le Brésil au XX" Siècle, do historiador francês Pierre Denis:
Chose étrange, le sertaon, pays d'élevage, ne consomme pas de viande ; et dans Ia serra, pays agricole,où l'élevage est inconnu, l'usage en est general. Sur le nombre des boeufs amenés aux foires de Baturite, les plus importantes de toutes, un tiers sert à l'approvisionnement de Ie capitale; un autre tiers est emmené par les chemins du plateau jusqu'au port de Camocim, oú il est embarque à destination du Para; le dernier tiers enfin est destine à Ia serra de Baturite. Les serras, les provinces de l' Amazone, et Fortaleza, tels sont les principaux clients des éleveurs du sertaon.
Porto de Camocim.
 Fonte: camocimpotedehistorais.blogspot.com.br

Numa tradução livre teríamos o seguinte:

Estranhamente, o sertão, país gado, não consome carne; a serra, país agrícola, onde o gado é desconhecido, seu uso é geral. Os bovinos são trazidos para as feiras, onde Baturité é a mais importante de todas; um terço é usado para abastecimento da capital; outro terço é levada das estradas do planalto para o porto de Camocim, onde de lá navegam ao Pará; o último terço é destinado finalmente para Baturité. A Serras, as províncias da Amazônia, e Fortaleza, estes são os principais clientes dos criadores do sertão.


Fonte: DENIS, Pierre. Le Brésil au XX'.Sixieme Edition. Librairie Colin, Paris. 1921.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O INICIO EMPRESARIAL DOS MACEDO EM CAMOCIM

 
Jornal A Pátria. Anno VI, Nº 248, p.3. 27 de janeiro de 1915.

Atualmente propaga-se mais uma crise financeira internacional. Dizem também que são nos momentos de crise que os mais arrojados se superam. Isso explica, de certo modo, a longevidade de grandes grupos empresariais que, nestes momentos de dificuldades, sabem contornar os problemas e até saírem mais fortes das crises. Todos sabem, por exemplo, da grandiosidade do Grupo J. Macedo no cenário empresarial que neste ano completa 77 anos e de que seu atual capitão de indústria José Dias Macedo nasceu ali naquela casa da Rua da Independência onde hoje se acha o Colégio Georgina Leitão Macedo, aliás, em homenagem à sua genitora e esposa de quem começou a saga dos Macedo no comércio - Manoel Dias Macedo, sobre o qual versa esta postagem.
O início do ano de 1915 parecia confirmar o ápice daquele período de estiagem que ficaria célebre na fortuna literária de Raquel de Queiroz (o romance "O Quinze"). Portanto, chegava a hora de redimensionar as finanças. Manoel Dias Macedo então toma algumas providências e trata de publicizá-las no jornal A Pátria, órgão do então Partido Republicano Conservador do Ceará.
Conforme a nota, ele "previne aos Snrs. Collectores Federal e Estadual, para o fim de evitar o lançamentos indevidos" em seu nome, visto que, pela referida nota, ele estava deixando de "negociar no anno de 1915 com fazendas, deixando também de funccionar sua salgadeira e carroça". Portanto, nota-se aí os efeitos da seca, visto que o negócio de vendas de tecidos (as fazendas) não ia bem, nem tampouco uma salgadeira de peles e couros, também atingida pela estiagem com reflexos na criação de animais. Desta forma, avisava Manoel Dias Macedo, seus negocios estavam restritos ao seu "estabelecimento de vender molhados e generos do paiz, a travessa da Independencia".
O grande império que é hoje o Grupo J. Macedo, portanto, teve seu início entre o acanhado Mercado Público de Camocim e a Rua da Independência. 






Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional. Jornal A Pátria.Anno VI, Nº 248, p.3. 27 de janeiro de 1915.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

AS DOENÇAS E AS CURAS SOFRIDOS PELOS CAMOCINENSES

Revista Careta. Rio de Janeiro, 05 de outubro de 1918, nº537, p.35.
Interessante este mundo da propaganda de remédios. As notícias de hoje dão conta de que a indústria farmacêutica não investe em pesquisa de medicamentos que curariam certas doenças porque não dão lucros satisfatórios, preferindo outros menos eficazes para que as pessoas fiquem sempre comprando até morrerem. Por outro lado, nas primeiras décadas do século XX, os antigos medicamentos e seus respectivos detentores das fórmulas, utilizavam-se de depoimentos de usuários para atestarem sua eficácia, aliando ao testemunho, a foto das pessoas que fizeram uso do medicamento na cura das mais diversas moléstias que iam da sífilis, passando por males do fígado, feridas, etc. A exemplo disso, temos o depoimento do advogado, jornalista e poeta camocinense Raul Rocha em outubro de 1917 fornecido à Revista Careta, do Rio de Janeiro, que exaltava os efeitos curativos do ELIXIR DE NOGUEIRA. Dizia ele:
"Illmos.Srs. VIUVA SILVEIRA & FILHO
Rio de Janeiro
Soffrendo de horríveis coceiras produzidas por eczemas em diversas partes do corpo, especialmente nos pés, sujeitei-me a tratamento rigoroso, ingerindo preparados especia, encontrando porém, sempre resultado negativo.
Aconselhado os preparados mercuriaes, recusei-os, por julgal-os prejudiciaes; resolvi usar o universal medicamento ELIXIR DE NOGUEIRA do Pharmaceutico Chimico Joao da Silva Silveira de abencoada memoria e com poucos vidros, senti-me radicalmente curado.
Pelo benefico resultado obtido attesto conscienciosamente, sua maravilhosa efficacia".
Camocim (Ceará), 14 de outubro de 1917
Raul Rocha
(Advogado e jornalista).
Estes documentos, além de revelarem os tipos de doenças do começo do século XX. oferece algumas fotografias de diversas pessoas que tiveram algum destaque na sociedade camocinense.

sábado, 9 de julho de 2016

O FUTEBOL DE ANTIGAMENTE EM CAMOCIM

Jornal A Razão. 12.03.1937. Fortaleza-CE.



Num tempo em que o futebol talvez não fosse um esporte de massa como é hoje; quando essa paixão ainda perigava se chamar PEBOL ou LUDOPÉDIO; quando ainda o Brasil passaria mais de duas décadas para ganhar a primeira Copa do Mundo, eis que aconteceu numa tarde quente em Camocim. o que passa a ser narrado:


" [...] Pisando pela primeira vez o gramado do Ferroviário S. C. o valorozo invicto Paraná F. C para uma renhida luta [...]perante uma boa assistencia, sahindo vencedor o Ferroviário pela contagem de 3 x 1.
[...] O Juiz dá o sinal da partida: Negrinho passa a Milton este a Bevilaqua que, envia sem demora ao ponta esquerda Mesquita que manda a goal para Oreste, fazer uma excelente pegada. [...] Bevilaqua que é encarregado de bater (um escanteio) e faz com admiravel perfeição um tiro matematico nos pés de Milton que, sem demora envia o couro a goal, marcando o primeiro ponto da tarde do F.S.C., - o jogo continua bastante animado até o final do primeiro tempo com ataques perigozos de ambas as partes e termina com a contagem de 1 x o favoravel ao F.S.C.
[...] Começando o segundo tempo com a saída do "Paraná", Peralta passa a Rego este a Zé que em seguida passa a Sampaio e este em cima da linha de meta envia um forte pelotaço a goal e Porangaba bem colocado segura o couro com admiravel destreza e é aplaudido bastante pela assistencia, foi esta uma das defesas mais perigozas da tarde.



Bem amigos, se vocês quiserem saber sobre o desenrolar da partida vão ter que ver a matéria completa que o jornal A Razão, editado em Fortaleza, publicou no dia 12 de Março de 1937. Naquele tempo o rádio, a televisão não haviam chegado por aqui e uma das formas de nossos craques e conterrâneos de então acompanharem uma partida de futebol via imprensa era ler os jornais, que descrevem não somente as partidas, mas as chegadas das delegações nas cidades quando se tratavam de amistosos intermunicipais e interestaduais. 
Para o registro, finalizamos com a divulgação dos jogadores daquela partida, autênticos craques camocinenses. No jornal, os nomes são grafados de forma a dar ideia do esquema tático. Aqui, apenas a relação:


F.S.C. - Porangaba, Xico, Gustavo, Osvaldo, Mundico e Alves. Mesquita, Milton, Negrinho, Baiano e Bevilaqua.
Paraná: Oreste, Rosendo, Carrapato, Lino, Cosmo e Caçote, Zé, Sampaio, Peralta, Rego e Ribamar.
Depois do jogo foi servido cerveja aos jogadores do F.S.C. por ordem do prezidente Sr. Luca.
"O Correspondente".



Fonte: A Razão, 12, mar.1937. Fortaleza-CE.
Imagem: trivela.uol.com.br

quinta-feira, 23 de junho de 2016

ILHA DO AMOR. BEM PÚBLICO DE CAMOCIM.

Vista panorâmica da Ilha do Amor. Camocim-CE.


Em recente decisão judicial sobre o reconhecimento da Ilha do Amor (um eufemismo geográfico, visto tratar-se de uma península) como bem público de Camocim, o douto julgador apôs à sua decisão o valor histórico, visto que " a área em questão teria sido onde Vicente Pizón teria encontrado as terras alencarinas". Há muita controvérsia nessa versão, inclusive a que cabe ao navegador espanhol a primazia da descoberta do Brasil. Ainda segundo a decisão, uma "outra referência sugere que, através da foz do Rio Coreaú, que fica em frente à Ilha do Amor, ingressou a primeira expedição oficial de colonização portuguesa no Ceará, em 1603.
A respeito desta segunda afirmação não há dúvida e as referências abundam nos documentos e nas narrativas dos primeiros historiadores que escreveram sobre a presença portuguesa no Brasil. A título de ilustração, transcrevemos um pequeno trecho da obra "História do Brasil. 1500-1627", de autoria de Frei Vicente Salvador, que segundo o historiador cearense Capistrano de Abreu foi , "o primeiro livro a oferecer uma interpretação sistemática da história do Brasil”:
O mesmo fizeram depois os da outra aldeia à imitação destoutros, e foram todos marchando até o Ceará, onde, depois de alguns dias de descanso por causa da gente miúda, tornaram a marchar até um outeiro a que depois chamaram dos Cocos,porque uns sete ou oito que plantaram à tornada os viram nascidos com muito viço. E dali foram à enseada grande do âmbar e à mata do pau de cores, que chamam iburá-quatiara, depois ao Camoci, que é a barra da Serra da Boapaba, para a qual marcharam o seguinte dia, véspera de São Sebastião,19 de janeiro de 1604, antemanhã.

Deste modo, a Ilha da Testa Branca (ou Ilha do Amor), assim como Camocim, está na história desde os primeiros tempos da colonização.

Fonte: SALVADOR, Frei Vicente. História do Brasil. 1500-1627, p.292.
Foto: www.hotelilhadoamor.com.br