sábado, 24 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - VII. O SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE LAGOA DAS PEDRAS - CAMOCIM

Camocim não é apenas o paraíso natural representado por dunas, mangues e praias. No interior do município, na localidade de Lagoa das Pedras, distrito de Amarelas, existe um lugar pitoresco com formações rochosas e pinturas rupestres. É disso que trata a matéria abaixo.
by Vanderlândia de Araújo Teles
Aluno do Curso de História do PARFOR/UVA/Camocim

Entrada do Sítio Arqueológico de Lagoa das Pedras. 2016. Camocim.
Foto: Vanderlândia de Araújo Teles

A Localidade de lagoa das Pedras é um lugar pouco povoado, mas tem um desconhecido Sitio Arqueológico, que há algum tempo este foi ameaçado por pessoas que exploram comércio de pedras (britadeiros). No entanto, pelo das pedras serem muito consistentes, eles desistiram da exploração.
Detalhe de pintura rupestre. Sítio Arqueolócigo
Lagoa das Pedras. 2016. Amarelas.Camocim-CE.
Foto: Vanderlândia de Araújo Teles
O local é recheado de histórias e lendas. Populares nos relataram que ao anoitecer, os habitantes do lugar mais antigos viam moças e soldados armados em cima das pedras.                                               
Estas pedras nos traz uma historia de pinturas rupestres, que são desenhos que nos remetem a um passado distante, de marcos deixados por antepassados. Alguns arqueólogos já visitaram o lugar mas não deram ainda a devolutiva e deixaram o povo desta comunidade  na curiosidade de saber realmente quem foram as pessoas que habitaram o lugar.
Ainda sobre os relatos dos moradores, este lugar teria sido encantado por fadas, pois no dia em que descobrisse o que significava o que estava naquelas pedras o lugar se tornaria uma cidade  e o descobridor ficaria rico.
Este lugar deve se estudado para tirar as dúvidas desta comunidade  para saber quem foram os que deixaram estas marcas.
Por outro lado, entendemos que se o lugar for bem estudado e preservado poderá ser um local de visitação turística e histórica.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - VI. AS PARTEIRAS DE CAMOCIM

by Francisca Karla Pinto Lima 
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA/Camocim

A matéria recupera a maneira como os camocinenses vinham ao mundo com a ajuda das parteiras, num tempo em que os serviços médicos e obstetrícios eram muito precários.


Cadeira de Parto.  Fonte:  Reprodução/ScienceMuseum.org.uk



Antigamente em Camocim era muito comum as mulheres terem seus filhos em casa com ajuda de uma parteira. Minha sogra, Dona Ivonete, conta que os partos dos seus filhos foram feitos pela parteira conhecida como Dona Maria Balbina, que era uma mais requisitadas da cidade. Ao entrar em trabalho de parto imediatamente ela era chamada. Sem muitos recursos e contando muitas vezes com a sabedoria popular, salvavam vidas, onde o poder público não as alcançavam com os serviços médicos. Os materiais utilizados eram simples e arcaicos, mas, na maioria das vezes, eficientes.
De prontidão iniciava-se os trabalhos de parto apalpando a barriga da gestante para sentir o quanto as contrações estava acontecendo. Panos limpos, água quente, tesoura esterilizada e uma cadeira com um buraco no meio, para a gestante se sentar e uma dose de palavras meigas e firmes, deixavam calmas e confiantes as futuras mamães.
Os primeiros cuidados com o bebê eram prestados pela parteira, que dava o primeiro banho e orientava quanto à forma de cuidar do cordão umbilical do recém-nascido, para que caísse mais rapidamente. No pós-parto, por um determinado período de tempo, havia uma série de restrições, tanto alimentares, quanto de atividades domésticas, como por exemplo: de não poder se abaixar, manter relações sexuais ou tomar banho com água fria.
Hoje em dia, as grávidas dispõem de facilidades para ver o bebê, para saberem se estão em perfeita saúde e sem qualquer deformidade ou doença. Ultrassonografias de rotina e as ecografias 3D ou 4D são incríveis, porque nos permitem ver o bebê mesmo no útero. Nas gestações de 30 anos atrás não tinham como ver o bebê no útero. As mães só podiam imaginar a carinha do seu bebê e tinham que se contentar com o que o médico ouvia e dizia sobre os batimentos cardíacos.Hoje estamos acostumadas a irmos ao ginecologista antes, durante e após a gravidez. Este médico é especializado em controlar o desenvolvimento e crescimento do bebê no útero e normalmente, com o passar do tempo, construímos uma relação de confiança com ele. 
Mas, há mais de 30 anos, as revisões na gravidez podiam ser feitas somente por uma parteira. Existiram varias parteiras em Camocim, na qual destaco algumas delas: Maria Gaúcha, Maria do Lino, Creuza, Maria Balbina, Raquel e a Mãe Filó como era conhecida.
Atualmente, em alguns municípios, como Sobral, as parteiras são incluídas no sistema de saúde recebendo instruções e cursos de especialização numa parceria interessante entre o saber médico e a cultura popular.

Fonte oral: Dona Ivonete.

VI SETEMBRO CAMOCIM - V. A FORMAÇÃO ROCHOSA DA LAGOA DAS PEDRAS. CAMOCIM

by Francisca Germanda Ferreira Barbosa
    Aluna do Curso de História. PARFOR/UVA/Camocim 

Se você pensa que no quesito belezas naturais, Camocim é apenas o detentor do maior litoral do Ceará com cerca de 62 km de praias paradisíacas, está enganado. Na localidade de Lagoa das Pedras, distrito de Amarelas, temos um sítio arqueológico com pinturas rupestres e formações rochosas conhecidas como "tanques", como mostra a matéria abaixo.



Formação rochosa "Tanque". Lagoa das Pedras, Amarelas. Camocim-CE. 2016.
Foto: Vanderlandia Araújo Teles.





As formações rochosas são elementos naturais, que aparecem na paisagem de diversos lugares com formas e tamanhos diferentes. 
Na localidade de Lagoa das Pedras encontra-se uma dessas rochas em formato de "tanque" que acumulam água nas quadras invernosas. Outras pedras compõem o cenário nos seus arredorres. 
Há relatos da população que na época de uma grande seca esse tanque secou, mas não se informou com veracidade o ano desse acontecimento. Quando seco, percebe-se que seu fundo é semelhante a um funil, forma esta que impede visualizarmos seu término.  
Segundo ainda estes relatos, populares usam este tanque quando cheio, para lazer, tomar banho, no abastecimento de água, lavagem de roupas, entre outras atividades. 
No entanto, o tanque e o sítio arqueológico da Lagoa das Pedras como um todo, é pouco conhecido e estudado. Cremos que, bem explorado, poderia ser utilizado como ponto turístico e histórico mostrando uma das riquezas naturais do nosso município e uma referências dos nossos antepassados. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM - IV. COMUNIDADE DE "ABORRECIDO" PRODUZ HORTALIÇAS PARA O CONSUMO EM CAMOCIM

by Joana Darc dos Santos
Aluna do Curso de História PARFOR/UVA. Camocim.

Hortaliças na comunidade de Aborrecido. Camocim-CE. Foto: Joana Darc dos Santos 

Na localidade do Aborrecido à 26 km de Camocim, existe uma comunidade que tira o seu próprio sustento através do seu trabalho com plantação de hortaliças que é realizado por homens e mulheres que descobriram um meio de sobrevivência no seu próprio lugar de origem.

A plantação teve início no ano de 1990, quando algumas mulheres plantavam hortaliças para o seu próprio consumo na comunidade de Aborrecido. Um dia, uma dessas mulheres sentiu a necessidade de vender as hortaliças para sua vizinha, que comprou e indicou outras vizinhas que também não tinham plantação em casa. Foi aí que as mulheres começaram a se unir e cada uma fizeram um canteiro no quintal de suas casas para plantar hortaliças. Como a produção aumentou, começaram a comercializar o excedente de hortaliças em Camocim. No início as dificuldades era com a irrigação, pois naquele tempo a água usada para regar as plantações era de cacimba. Posteriormente a Prefeitura de Camocim perfurou um poço profundo que foi doado para as pessoas que trabalhavam com a referida cultura de hortaliças.

Uma senhora da comunidade chamada Maria Genilda Gregório, 38 anos, percebendo a necessidade crescente das mulheres em plantar as hortaliças, ofereceu um terreno de extensão de 40 metros quadrados que fica no fundo do quintal de sua residência. Todos os dias as mulheres vão regar as plantações enquanto seus maridos vão comercializar no mercado de Camocim. Os compradores recebem as mercadorias e vendem para seus clientes, gerando assim uma renda com base de R$ 400,00 a R$ 500,00 reais por mês para cada família.

Horta na comunidade de Aborrecido. Foto: Joana Darc dos Santos
Quando começou a plantação era apenas um grupo de mulheres. Em seguida a plantação de hortaliças se estendeu para o restante da comunidade. Com o aumento do negócio, formaram um projeto e se associaram ao Sindicato  dos Trabalhadores Rurais de Camocim, que por sua vez orientou a comunidade a fazer um empréstimo no Banco do Nordeste em Granja, que tem linha de crédito para os agricultores com juros baixos e descontos no valor total do capital de giro
Esta atividade melhorou a qualidade de vida dos agricultores que além de investir nas plantações de cebola, alface, coentro, pimenta e até berinjela, compraram também  seus veículos para o transporte das mercadorias para chegarem as seus fornecedores com qualidade. O projeto deu tão certo que as plantações só tendem a crescer cada vez mais,com muito esforço e dedicação dos agricultores, que gostam muito do trabalho no campo.

Fontes orais:
Manoel Gregório do Nascimento, 69 anos, nascido em 04/09/1947, vigia contratado na escola Gregório Pedro do Nascimento, Aborrecido, Camocim-CE.
Maria Genilda Gregório,38 anos, nascida em 01/08/1979; merendeira, concursada na escola Gregório Pedro do Nascimento, Aborrecido, Camocim-CE. 


VI SETEMBRO CAMOCIM - III - ANASTÁCIO PEDROSA E AS LEMBRANÇAS DA FERROVIA EM CAMOCIM


COM OS OLHOS DE HOJE. RESTA-NOS VER A SAUDADE DA PARTIDA DO PASSADO.

by Charles dos Santos Silva

Carteira de Trabalho do Sr. Anastácio Pedrosa Filho.
Fonte: Acervo da Família
Anastácio Pedrosa Filho, nascido no dia 08 de Outubro de 1961, na Maternidade Doutor Marques Bastos, na cidade de Parnaíba-Piauí era filho de Anastácio Pedrosa, foguista e de Luzia Melo Pedrosa.  Seu Anastácio, um ex-ferroviário que morou em Camocim, em 14 de julho de 1975 passou a ser empregado da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), da 2ª Divisão Operacional Cearense com o cargo de maquinista, matrícula 30978, como informa seus documentos.
Camocim, originalmente, foi o trecho inicial da Estrada de Ferro Camocim-Sobral e, junto com o porto, foram de suma importância para a economia local. A linha histórica da antiga estrada de ferro, no período do século XX, chega a seu ponto máximo em Oiticica na divisa com o Piauí, em 1932. Seu Anastácio foi um morador de Camocim no bairro Olinda. Como todo ferroviário, participou dessa fase econômica de grande importância para a economia regional.
Dados deixados em seu diário de BORDO, constam datas desde 1967, cada bloco e locomotiva com suas numerações e dados de velocidade do trem. Os registros em seu diário mostram a seriedade e importância de seu trabalho como maquinista na estrada de ferro, além de revelar aspectos do cotidiano de trabalho na ferrovia e as relações entre os funcionários.
Postal ofertado aos funcionários da RFFSA.
Acervo: Família do Sr. Anastácio Pedrosa Filho.
Anastácio tinha a responsabilidade de anotar e registrar toda e qualquer alteração ocorrida na locomotiva, sendo na velocidade, parada ou cargas extras como trazidas e levadas pelos seus vagões do trem, puxados pela conhecida Maria fumaça, assim chamada pela população camocinense que recebia a comissão com grandes demonstrações de alegrias.
O tempo passou e ficou a saudade dos trens como assinala o poeta: “No hoje de nossos dias, decorridos tantos anos da partida definitiva do último trem da estação de Camocim, tudo quanto lhe abraça com os olhos tudo se torna assim como um sacramento, por que provoca uma recordação daquela glória passada.” (XIMENES, Pe. Luís. Paixão Ferroviária. Ed. do Autor, 1984, p.194). 

Fontes: Diário de Bordo. Anastácio Pedrosa, p.196).Acervo da família de Anastácio Pedrosa. 
Agradecimento: Cleciane Chaves e Nando (neto).
Postado por Charles dos Santos Silva. Aluno do curso de História PARFOR/UVA. 




quarta-feira, 14 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM II - OS DOCUMENTOS DA VILLA

Oficio nº 42 de 31 de dezembro de 1887. Câmara Municipal de Camocim.


A história é deveras fascinante! No momento atual vivemos mais um período eleitoral com todas as suas anomalias, trâmites, vicissitudes, jogos de cena, festejos, desejos inconfessos, promessas e interesses outros.
Para o então município que se formava, ainda não éramos nem cidade, apenas uma vila recém criada, as eleições talvez ainda não tivesse toda essa complexidade, mas já apresentava os nomes das pessoas que tinham o destino de comandar o novo município desmembrado do município de Granja, posto que, naquela época, as câmaras municipais tinham também a função de executivo.
O ofício em questão trata apenas da acusação do recebimento de um oficio do Presidente da Província do Ceará que incluía o "Decreto Legislativo nº 3340 de 14 de outubro de 1887" com as orientações sobre as alterações do pleito eleitoral para os representantes da Assembleia Provincial e Câmaras Municipais.
A Câmara de Camocim desta época era composto por:

Lionel Dias da Fonseca - Presidente
Luís Gomes de Lima
Antonio Nogueira de Carvalho
Custodio Archanjo Soares
Serafim Melo de Freitas.

Fonte: Site do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará.


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM I - A CIDADE NOS ANOS 1940

Trecho da Rua 24 de Maio e Largo da Matriz. Camocim. 1941. Fonte: Revista Cruzeiro, RJ.

Em março de 1941 a Revista Cruzeiro, a maior revista de circulação nacional àquela época fez uma matéria especial sobre nossa cidade. Nos anos 1940, o município experimentava os fatores positivos do movimento do nosso porto e da estrada de ferro. Vejamos um trecho da referida reportagem, entremeada de algumas tomadas fotográficas de nosso traçado urbano:

"O município de Camocim um dos mais importantes do Estado do Ceará, possuindo uma população de 22.750 almas, é banhado pelo Oceano Atlântico, ao norte, e pelo Rio Coreaú, a leste, que lhe offerece excelente ancoradouro situado na cidade de mesmo nome e que é a sede do município.
O porto de Camocim é visitado, no seu ancoradouro interno, pelos vapores de pequeno calado do Lloyd Brasileiro, da Companhia Commercrio e Navegação, do Lloyd Nacional e de outras empresas particulares.
O município de Camocim é também servido pela Estrada de Ferro de Sobral, que o atravessa de norte a sul, sendo seu ponto inicial a cidade de mesmo nome.

A foto acima foi feita do alto da torre da Igreja Matriz e mostra um trecho da atual Rua 24 de Maio, Na época,, o prefeito era o Sr. João da Silva Ramos que, no decorrer da reportagem, faz uma uma espécie de prestação de contas de sua administração. Eãom postagens posteriores, forneceremos maiores detalhes desta publicação.

 Fonte: Revista Cruzeiro, RJ. 29 de março de 1941, p. 49.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

VI SETEMBRO CAMOCIM

Canoas Olímpicas. Camocim. 2015. Foto: Vando Arcanjo.
Caros conterrâneos e internautas que acessam sempre o CAMOCIM POTE DE HISTÓRIAS, como fazemos há cinco anos, iniciaremos hoje mais uma temporada especial de postagens. Desta feita, será o VI SETEMBRO CAMOCIM, mais uma contribuição singela à história do município, por ocasião do mês de aniversário que marca os 137 anos de nossa emancipação política. Como sempre, procuraremos trazer postagens e matérias inéditas que despertem o nosso gosto pela nossa história e procurando desenvolver uma consciência crítica de preservação e ressignificação da mesma. Neste ano esperamos contar com a colaboração valiosa dos alunos da Turma de História da UVA/PARFOR/CAMOCIM como forma de exercitarem o que estão experimentando no curso.  Mãos á obra?!