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quarta-feira, 17 de junho de 2020
sábado, 6 de junho de 2020
JUNHO FERROVIÁRIO. HISTÓRIA E SAUDOSISMO DO TREM DE CAMOCIM
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| Casa dos Engenheiros. Camocim. Década de 1980. Fonte: Memória Ferroviária Cearense. |
Há 142 anos Camocim viveu um mês muito especial, o mês de JUNHO. É que de 01 a 30 de junho de 1878, os habitantes vivenciaram a realização de algo que transformaria o pequeno distrito de Barra do Camocim - o início da construção da Estrada de Ferro que ligaria inicialmente o nosso porto à cidade de Sobral.
Deste modo a primeiro de junho o Conselho de Estado do Império, presidido por João Lins Cansanção de Sinimbu, autorizou de uma só canetada o prolongamento da Estrada de Ferro de Baturité a construção da Estrada de Ferro de Sobral, visando minorar os efeitos da seca de 1877 em socorro dos flagelados da região. No dia 19 deu-se a assinatura do Decreto Nº 6.940 que autorizava o início dos estudos da Estrada de Ferro de Sobral. Onze dias depois, em 30 de junho, o Presidente do Estado, José Júlio de Albuquerque já estava batendo a primeira estaca dos serviços de construção do trecho CAMOCIM-GRANJA. Em um mês se deu todo este desfecho, mostrando que, quando os homens querem realizar, realizam. Aquele mês junino no distante ano de 1878 deve ter sido o mais "ardente" da história do município.
Quase dois séculos depois, teremos um mês de junho o mais "frio" de todos. Não somente pela falta das fogueiras que a cada ano se tornam mais ralas e raras. Mas, também por se acumular mais um ano na memória daqueles que recordam do trem que se foi para nunca mais voltar. Para não dizer que apenas nós é que sofremos dessa nostalgia, vejamos trechos de dor e memória de quem foi privado do trem:
"É que, sem o apito do trem, a Cantareira morria para os nossos sonhos, como morriam as flores e as árvores, os domingos e os dias santos, as madrugadas e os fins de tarde em que a vizinhança toda conversava lá fora, as cadeiras ao ar livre, enquanto a gente brincava na calçada. Sem o apito do trem, era como se o sol deixasse de brilhar no largo da estação... [...] Sem o trem, parecia que morriam os heróis da nossa infância.[...] Como ficar sem o trem e não ver mais a alegria da gente do povo que era parte da nossa vida?
Embora que vivamos no tempo presente, o passado e as lembranças dele são o combustível que nos movem.
Fontes:
OLIVEIRA, Andre Frota de. Estrada de Ferro de Sobral. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora,
1994.
PRADO, Antonio Arnoni. O último trem da Cantareira. Editora 34, 2019, p.59-60).
Foto: Casa dos Engenheiros. Camocim. Década de 1980. Fonte: Memória da Ferrovia Cearense.
domingo, 31 de maio de 2020
A VIOLETA. A REVISTA DA MULHER CAMOCINENSE
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| Revista "A Violeta", nº 174, março de 1941. Fonte: APMT. |
A fertilidade da imprensa camocinense já foi abordada nete espaço. Nas primeiras décadas do século XX foi grande a variedade de periódicos e revistas que surgiram em nossa cidade, variando do noticioso informativo ao humorístico, clubístico, de representação política, da classe operária (O Operário), dentre outros. A crônica histórica recupera mais de trinta títulos, alguns sendo editados simultaneamente, além da existência por certo tempo de duas tipografias na cidade, a Typographia Commercial e Officinas Typographicas, do jornal “Gazeta de Camocim”.
Feito este intróito, cumpre informar que as mulheres camocinenses também tiveram uma publicação específica para elas. Segundo a Revista do Instituto Histórico do ano de 1908 em Camocim "surgiu A Violeta, orgam literário e recreativo dedicado ao 'bello sexo'", no ano de 1907. Naquela época, o Barão de Studart fazia na Revista do Instituto Histórico um interessante trabalho de pesquisa sobre a imprensa cearense.
Interessante como este nome "Violeta" surge denominando jornais e revistas dedicados ao público feminino, seja para o entretenimento ou na divulgação das ideias do feminismo que surgia naquela época. Neste sentido, vamos encontrar uma revista denominada "A Violeta" ainda no séc, XIX em Parnaíba-PI, no ano de 1863. No entanto, talvez a mais profícua e duradoura foi "A Violeta" de Mato Grosso, "periódico editado em Cuiabá, a partir de 1916, por uma pequena elite de pessoas letradas, lideradas por mulheres que escreviam e editavam a revista, aproximava ideias e pensamentos que estavam na pauta dos debates contemporâneos". A revista mato-grossense saiu regularmente até 1950, que nos seus "309 títulos, revelou uma longa vida, traduzida nas muitas décadas utilizadas em suas publicações. O último número dessa revista foi editado por ocasião da posse do Presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, nascido em Cuiabá".
Infelizmente ainda não encontramos nenhum exemplar de "A Violeta" editada em Camocim para sabermos como o "belo sexo" camocinense, como se dizia à época era retratado.
Fonte: Revista do Instituto Histórico do Ceará. 1908,
ROCHA, Olívia. Mulheres e Imprensa no Piauí. 2012.
MARQUES, Ana Maria. O Feminismo nas narrativas de mulheres na revista "A Violeta". Cuiabá. 1916-1950. Revista Territórios e Fronteiras, n.1, v.4, 2011.
sexta-feira, 22 de maio de 2020
CAMOCIM E A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA
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| Anúncio dos produtos farmacêuticos J. Arthur de Carvalho. Camocim-CE. 1918. Fonte: Folha do Littoral. |
Diante de toda celeuma atual que envolve o uso ou não do medicamento cloroquina que, sem dúvida, envolve interesses muito maiores e difusos do que uma saída segura como remédio eficaz para o combate do corona vírus, lembramos que nosso município já foi um polo de produção de produtos farmacêuticos que ainda hoje podem se encontrar nas farmácias.
Quem já não usou as famosas Gotas Arthur de Carvalho para se aliviar de problemas estomacais? Pois bem, nas primeira décadas do século XX, o farmacêutico Joaquim Arthur de Carvalho montou em Camocim o Depósito Geral do seu Laboratorio Chimico-Pharmaceutico, produzindo as Gottas Arthur de Carvalho ou Gottas Estomacaes para os problemas do estômago; Caneroina, para combater a consequências da sífilis; Ulcerina, eficaz contra as "úlceras de mau caracter"; Calloina, para desfazer os problemas de calos na pele; o Tonico Prior, uma loção antisséptica que prometia evitar a queda de cabelo e eliminar a caspa e o Elixir anti-asmatico, que, como o próprio nome diz, servia para combater a asma, mesma aquela "mais rebelde, quando delle se faz uso mais prolongado".
A fama dos produtos de J.Arthur de Carvalho correu o Brasil daquela época, demonstrado pelos vários pedidos dos medicamentos junto à firma de representação local Nicolau & Carneiro. A firma mantinha uma espécie de filial em Fortaleza, com um depósito estabelecido à Rua Major Facundo, nº 44.
J. Arthur de Carvalho não era somente um farmacêutico conhecido. Á noite, reunia em sua farmácia um grupo de pessoas letradas da cidade, dentre eles o pintor Raimundo Cela, para uma boa roda de conversa.
FONTE: Jornal Folha do Littoral. Camocim-CE, 22/09/18, ed.15, p.3.
quinta-feira, 14 de maio de 2020
O CASAMENTO DE MURILO AGUIAR E MARIA STELA ROCHA
Fonte: Livro "Murilo Rocha Aguiar. Amor à política por toda a vida. 1914-2014".
quarta-feira, 13 de maio de 2020
O TRAFICANTE E A ESCRAVA
"QUEM É CATHOLICO NÃO PODE SER ESCRAVOCRATA"
Esta era a máxima da campanha abolicionista nos idos de 1881 levada a efeito pelo jornal abolicionista cearense "O Libertador". Seria como dizer hoje: "Quem é cristão não pode apoiar a tortura, a morte, etc", embora, hordas de matizes religiosas várias estejam a fazer o contrário, engrossando narrativas fanáticas país afora. Mas, vamos ao foco da data de hoje: abolição da escravatura. A Província do Ceará, como registra os anais da história, foi a primeira a proclamar a extinção da escravidão, (25/03/1884), cinco antes da data nacional da Lei Áurea, 13/05/1888. No entanto, para nossa região ainda é preciso muita pesquisa para compreendermos como a escravização se deu, por exemplo, nas atividades do nosso porto e na construção da estrada de ferro, por exemplo. Mais próximo de nós, as fontes apontam para um traficante (ou comerciante) de escravos: FIRMINO BEVILÁQUA, oriundo dos Beviláquas de Viçosa do Ceará, provavelmente. Ele tinha uma rede de apoiadores no comércio de escravos, que também funcionava como ponto de entrega de escravizados fujões em Teresina-PI (Sr. Eugenio Marques de Olinda); Sobral (Sr. José Firmo Ferreira da Frota); Granja(Sr. Antonio Beviláqua, provavelmente seu parente) e Fortaleza (Angêlo Beviláqua, idem). Apresentado o mercador de escravizados, quem era a escrava em questão? O jornal "O Libertador" a expõe através do perfil violento do seu algoz:
"UM ANTROPOPHAGO
Firmino Beviláqua é um nome hoje execrável entre os cearenses. Quando se procura ern todo o paiz exterminar a barbara lei do dominio illegal do homem sobre seu similhante; quando o espirito cearense banha-se no orvalho lúcido do supremo pensamento da Liberdade e da igualdade — esse homem dando largas aos instinctos brutaes da paixão dos antropophagos, ceva-se na imbele victima da escravidão; inflingindo sevicias em uma pobre mulher escrava!
Castigando-a barbaramente por um frivolo motivo esse feroz senhor tornou-se pocesso, por lhe ter o nosso digno 1º Vice-Presidente observado o escândalo de que foram testemunhas diversas pessoas—e .todo o seu ódio recahe sobre a mísera escrava que recebe novo e atroz supplicio.
[...] A escrava Margarida é hoje a victima da vossa ferocidade ; mas nós havemos de cumprir o nosso dever, illustre negreiro".
Cinco anos depois do acontecido, vamos encontrar FIRMINO BEVILÁQUA sendo noticiado pelo fato de ter sofrido um "horrível desastre que mutilou-o irremediavelmente" .
Fontes:
Jornal "O Libertador", Fortaleza-CE, 1881. anno I, 16 de agosto de 1881, p.1.
Jornal "O Sobralense, 27 de junho de 1875).
Jornal "Província de Minas", 1886.
Imagem: Escravidão no Brasil, Jean-Baptiste Debret (1768-1848).
sábado, 9 de maio de 2020
A COLÔNIA DE PESCADORES DE CAMOCIM - Z17.
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| A Voz do Mar. Rio de Janeiro. 1941. Edição 179, p.14. Fonte: Hemeroteca da BN. |
Até bem pouco tempo, pensava-se que a denominação da entidade representativa, Colônia de Pescadores Z-1 de Camocim, dava-se por um pioneirismo do associativismo dos homens do mar no Ceará. No entanto, a revista da Confederação Geral dos Pescadores do Brazil, A Voz do Mar, esclarece a divisão das colônias de pescadores no país. Temos conhecimento dessa revista circulando entre 1923 a 1943, portanto, a denominação para Camocim de Z-1 é posterior a esta data, não se sabendo ao certo a partir de quando passou a vigorar a atual denominação. Na verdade, no estado do Ceará nem sequer existia uma Z-1. Na divisão, assim o litoral cearense era classificado:
Mucuripe (Z-2); Aquiraz (Z-3); Iguape (Z-4); Caponga (Z-5); Beberibe (Z-7); Aracaty (Z-8); Aracaty (Z-9); Tremembé (Z-14); Mundahú (Z-15); Camocim (Z-17); Fortaleza (Z-18). ( A Voz do Mar, 1924, edição 30, p. 18).
Posteriormente, a revista traz outras colonias criadas no Ceará, como: Pecém (Z-16); Paracuru (Z-21); Itapagé (Z-23); Espraiado (Z-24).( A Voz do Mar, 1941, edição 183, p. 16).
Portanto, no mínimo, desde 1924, que Camocim era a Z-17, como mostra a foto acima, inclusive com a numeração no frontispício da sede da nossa Colônia. No sentido de historiar um pouco esta denominação, transcrevemos parte do relatório de vistoria feito em 1941 nas colônias de todo o Brasil
A Colônia Z-17 de Camocim, tem uma diretoria regular. O seu Presidente é o sr. Vital Ferreira da Silva, remador da Agência da Capitania dos Portos em Camocim. A situação financeira dessa Colonia é boa, pois, além de trazer todos os seus funcionários pagos em dia, dispõe de uma ótima casa de tijolo e um mercado para venda do peixe. Em Novembro, último, inspecionei essa Colonia e constatei o seu relativo progresso, através do esforço da diretoria, que não mede sacrifícios pelo engradecimento da causa do pescador naquela praia. O mercado dessa Colonia, que é de taipa, está em cogitação de ser substituído por um de tijolo, com todos os requisitos de higiene, empreendimento esse, a ser leveda a efeito pela Colonia, auxiliada pela Prefeitura local. A medida é bem justa, pelo que esta Federação dará o seu irrestrito apoio.
A Voz do Mar. Rio de Janeiro. 1941. Edição 179, p.14. Fonte: Hemeroteca da BN.
Para efeito de informação, além do Presidente, sr. Vital Ferreira da Silva, a diretoria da Colônia de Pescadores de Camocim, no período retratado pela revista, era composta pelo sr. Manoel Agostinho dos Prazeres, secretário e Francisco Barros da Silva, tesoureiro.
Em próxima postagem, traremos informações sobre a Escola Batista Alves, que funcionava na Colônia de Pescadores Z-17, em Camocim.
Fonte: Revista A Voz do Mar, números, 30, 179 e 183. Hemeroteca da BN.








