![]() |
| Capa do livro "O Parlamento Camocinense". 2020. Camocim-CE. |
![]() |
| Capa do livro "O Parlamento Camocinense". 2020. Camocim-CE. |
![]() |
| ANÉSIO FROTA AGUIAR. Fonte: CEDIM. |
![]() |
| Símbolo do Direito. Fonte: https://br.pinterest.com/pin/380554237247529107/ |
“É preciso lembrar que a maior parte dos políticos
que galgaram posições políticas de comando na estrutura do poder do Estado,
tiveram formação jurídica; todavia, é igualmente verdade que a maior parte dos
bacharéis formados, preparados para integrar os quadros burocráticos estatais,
foi atuar nas delegacias de polícia, nos gabinetes executivos setoriais –
provinciais e municipais -, nas promotorias e varas judiciais locais, na
vereança”. (ADORNO, 2019, p.181).
O trecho acima se refere a uma conjuntura do século
XIX no Brasil. Contudo, semelhanças e diferenças se fazem presente no nosso
cenário político, embora, este fenômeno se dê em menor grau e, só agora, possa
ser melhor percebido.
Outrossim,
se fizermos uma breve pesquisa, veremos que o posto maior da república
brasileira - o de Presidente da República-, veremos que em sua grande maioria
foi ocupado por advogados em toda sua história. Hoje, mais do que uma profissão
que parece ser rentável (em Camocim, praticamente em cada esquina do centro
comercial encontramos escritórios de advocacia, com mais de um causídico com
seus nomes e “Drs” estampados, afora aqueles que advogam em casa ou não possuem
ainda a carteira da OAB), os operadores do Direito flertam constantemente com o
desejo do bacharel em se tornar um político, direito, aliás, de qualquer
cidadão em pleno gozo dos seus.
Fazendo estas relações, vê-se que em Camocim,
vereadores, que depois que exerceram seus mandato,s fizeram o Curso de Direito,
como José Genésio Vasconcelos (hoje procurador jurídico da Câmara Municipal de
Camocim), José Ferreira Lopes (Zé Paraíba), e Sérgio de Araújo Lima Aguiar
(Deputado Estadual). Atualmente, com o título de Bacharel em Direito exercendo
mandado de vereador temos Marcos Antônio Silva Veras Coelho, além de Antônio
Emanoel de Almeida Sousa e José Jeová Vasconcelos, graduandos na mesma área.
Dos atuais candidatos ao pleito de 2020 e que se declararam
serem advogados ou estando cursando Direito junto ao Tribunal Regional
Eleitoral (TRE), Mário Roberto Ferreira Lima, Ivanaldo Coutinho do Nascimento,
Rosivan Nascimento e Maria Eduarda de Oliveira Pereira, tentam chegar pela
primeira vez ao cargo de vereador.
No plano do Poder Executivo, a relação política e formação jurídica
também se verifica. A atual prefeita de Camocim, Mônica Gomes Aguiar, é
bacharel. Maria Elizabete Magalhães (Profa. Betinha), uma das candidatas à
Prefeito de Camocim em 2020, há pouco mais de um mês, graduou-se em Direito.
FONTE: ADORNO, SÉRGIO. Os Aprendizes do Poder. São Paulo: EDUSP, 2019, p.181.
![]() |
| Praia do Pantanal. Camocim. 2019. Foto: Carlos Augusto P. Santos. |
Ressaltar as belezas, a história e a cultura do nosso povo no dia hoje é quase pleonasmo. Como historiador, busco sempre aquilo que pouco sabemos, para lembrar daquilo que quase todos esquecemos. Daí a tarefa dupla do pesquisador de história: recuperar o que está meio obscuro e não deixar cair no esquecimento nossas referências identitárias.
Neste sentido, mais importante do que saber o que significa a palavra CAMOCIM, é compreender como se deu o povoamento de nosso território pelos vários povos nativos e como aqui chegou o negro escravizado. Mais do que saber quais foram as primeiras famílias a se instalarem no município e como fincaram suas bases de poder, é entender como seu deu a dinâmica desse poder através dos tempos.
Historiograficamente falando temos um grande caminho a percorrer. O porto e a ferrovia não bastam para explicar o que foi Camocim no final do século XIX e primeiras décadas do século XX, quando despontávamos como um dos municípios mais prósperos do Ceará. A "Cidade Vermelha" da militância comunista não contempla o seu oposto - a atuação dos integralistas e os movimentos de direita que existiram por aqui. Pinto Martins é um ícone que não ofusca os milhares de atores comuns que deixaram suas marcas na história que precisam ser recuperadas, para que a história fique mais próximas de nós!
De qualquer modo, a data de hoje serve para que voltemos mais nossas atenções para a história do município, entendendo a importância que cada habitante tem para a construção permanente e atualizada da identidade de ser camocinense. Parabéns CAMOCIM.
![]() |
| Ernesto Gurgel Valente. Cartaz da campanha politica de à Câmara Federal de 1974. Fonte: aracatiemfoco.com |
Das minhas lembranças das eleições de outrora, o cartaz acima é uma das primeiras que fixei na memória. Trata-se do aracatiense Ernesto Gurgel Valente(1913-2002), candidato à Deputado Federal em 1974, que tinha tinha como slogan "O homem do caju e da castanha", ou algo parecido. Em Camocim, foi apoiado pelo líder político Murilo Rocha Aguiar que, àquela época, encontrava-se cassado pelo regime militar.
A campanha política em Camocim, como sempre, mostrava o acirramento dos grupos em disputa, apesar dos mesmos estarem no partido do governo - a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o que demonstrava uma certa contradição, pois, o grupo liderado por Murilo Aguiar concorria no partido do governo que caçara seus direitos políticos.
Apresentados os candidatos, a família Veras/Coelho apoiou para Deputado Federal Francisco Humberto Bezerra e Deputado Estadual Francisco Fonseca Coelho. Já a família Aguiar trabalhou para a eleição de Ernesto Gurgel Valente (Deputado Federal) e o camocinense Coronel Libório Gomes da Silva (Deputado Estadual).
Aberta as urnas, os votos confirmaram a disputa acirrada. Para Deputado Federal, os então chamados "Fundo Moles" venceram por uma diferença de 183 votos (Humberto Bezerra 3.227 e Ernesto Gurgel Valente 3.044). Para deputado estadual, cujos números, teoricamente serviriam de um parâmetro mais aproximado para as eleições para prefeito dois anos depois, os "Cara Pretas" venceram com uma margem de 383 votos. (Cel. Libório obteve 3.640 votos contra 3.057 de Fonseca Coelho).
No entanto, na eleição seguinte para prefeito, a teoria não prevaleceu e os "Fundo Moles" venceram com Edilson Veras Coelho. Mas, essa é outra história!
Fontes:
aracatiemfoco.com
apps.tre.ce.jus.br