quinta-feira, 28 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS XV - DE CAMOCIM AO RIO DE JANEIRO

Pinto Martins em Aracti. 1922, Fonte: fortalezaemfotos.blogspot.com.br
Antes de chegarem em Camocim, um boato correu pela cidade de que não mais Pinto Martins pousaria em Camocim. Superada as desconfianças por um telegrama do próprio aviador avisando sua parada em solo camocinense, fizeram-se as devidas homenagens e a partida no dia seguinte  20 de dezembro de 1922, as 7 horas da manhã. No livro Pouso da Águia, o autor grafa 8h16min. Afora isso, cogitou-se que os aeronautas amerrisariam em Fortaleza, o que não aconteceu, segundo se conta, devido o mar revolto da enseada do Mucuripe. 

O Sampaio Correia II, depois de Camocim só parou em Aracati, de onde Pinto Martins telegrafou para a Associação de Escoteiro do Alecrim, informando que chegariam na capital potiguar em 21 de dezembro de 1922. Natal, naquela época tinha apenas 25.000 habitantes. Ás 12:45, o hidroavião pousou no Rio Potengi onde em suas margens, uma multidão esperava os aviadores, que foram recebidos efusivamente. Os aviadores visitaram o governador Antonio de Souza no Palácio do Governo, onde prestaram uma homenagem ao aeronauta potiguar Augusto Severo, que havia morrido ao pilotar seu dirigível “Pax” em Paris, na França, no ano de 1902. Apesar de estar programado vários eventos para o dia seguinte, a comitiva de aeronautas partiu cedo sem dar maiores explicações. o que gerou constrangimento na imprensa potiguar.

Pinto Martins no Rio Potengi. Natal. 1922.
Logo após decolarem do Rio Potengi, o “Sampáio Correia II” apresentou problemas no motor esquerdo, próximo a fronteira com a Paraíba, forçando-os a amerissar. Somente no dia de 25 de dezembro, em pleno feriado de Natal foi que seguiram viagem para Recife. No entanto, uma nova pane obrigou os aeronautas pararem em Cabedelo, na Paraíba, quando foi realizada a troca de um dos motores, fato este que adiou a partida para a  capital pernambucana  somente no final de janeiro de 1923.


Os contratempos surgidos até o destino final terminaram e só assim o “Sampaio Correia II” pode passar sem problemas por Maceió, Salvador, Porto Seguro, Vitória no Espírito Santo e finalmente, Rio de Janeiro, a Capital Federal. Era 8 de fevereiro de 1923 e os tripulantes aproveitaram vários dias de festas em honra ao feito por eles concretizado. Contabilizados os dias, se tivessem vindo de navio, teriam chegado mais cedo, o que diminuiu um pouco o impacto da aventura aérea.

terça-feira, 26 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS XIV - A POESIA CAMOCINENSE



Diretoria do Sport Club. 1917. Fonte Revista Fon-Fon. RJ.


Muitas foram as poesias oferecidas a Pinto Martins antes mesmo de sua chegada ao Brasil, quase sempre laudatórias, realçando a façanha aeronáutica que ligaria Nova Iorque ao Rio de Janeiro. Os poetas de Camocim não se fizerem de rogado. No periódico Camocim-Jornal de 19 de dezembro de 1922, que fez a cobertura das festividades em homenagem a Pinto Martins e sua comitiva no Sport Club, trouxe o soneto  "Saudação" do poeta e jornalista Raul Rocha, que transcrevemos abaixo:


SAUDAÇÃO

O nosso Camocim prepara-se garboso
Para vos receber, festivo e delrante. 
Cavatinando o mar seu hymno triunphante

Saúda-vos também - alegre e magestoso! 

No firmamento o sol mostrou-se mais radioso,

A terra se tornou jardim mais odorante;
E a luz unida à flor, num halo deslumbrante;
Vos vem glorificar com o povo jubiloso!

Dos lábios virginaes harpejos de harmonia
Sahem rouxinoleando em doce orchestração
Vibrando a marselheza que n'alma psalmodia 

Na augusta cathedral de nosso coração

Rimbalha festival o sino da alegria
Como se musicasse a nossa SAUDAÇÃO!

Ruínas do Sport Club. Fonte: Arquivo do blog.

Por outro lado, designado oficialmente para oferecer um poema ao aviador camocinense, o cidadão Pedro Morel assim se referiu ao ilustre conterrâneo, poema este recolhido por Eduardo Campos, no livro Pouso da Águia.

Vinde até nós, condores que do espaço
Baixais, após fendê-lo heroicamente,
Vinde, que o nosso coração fremente
Quer vos cingir n'um fraternal abraço.

Águias, que pelo Azul, serenamente... 

(obs:a obra não revela totalmente, o segundo quarteto)

Vinde até nós, intrépidos voadores,
Do ar e do empíreo azul dominadores
Receber nossas justas orações!

E agora um "hurrah" que atravesse os povos
Aos nossos bravos hóspedes, aos novos
Aos novos Montgolfiers, novos Gusmões!



sábado, 23 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS XIII - A CHEGADA E ESTADIA EM CAMOCIM

População recepcionando Pinto Martins em Camocim. 1922. Foto: Dominio Público.
Afora a série que ora escrevemos sobre o feito de Pinto Martins, de há muito tempo o blog Camocim Pote de Histórias vem destacando o aviador camocinense. Deste modo, uma breve pesquisa traz informações importantes sobre o raid aéreo, sua estada em Camocim e sua morte. Dentre outras, já focalizamos a Ata da Sessão Magna realizada no então Sport Club, onde foi homenageado, a Banda Lyra Camocinense, que animou o baile, a escola em seu nome, nos anos 1940, a pesquisa de petróleo em Camocim e sua relação com Pinto Martins, considerado um dos pioneiros no estudo da extração do mineral no país, os 90 anos do voo Nova Iorque - Rio de Janeiro, as comendas e festas em sua homenagem, além de um projeto que imaginei e denominei de Memorial Pinto Martins a ser construído na praça de mesmo nome. Portanto, é só acessar e reviver estes escritos. 
Mas continuemos com a série! A foto acima capta o exato momento em que o hidroavião fazia manobras para amerrissar no Rio Coreaú. A expectativa foi criada pelo telegrama de Pinto Martins dizendo que pousaria em sua terra natal. Como já dissemos anteriormente, este foi um gesto que ainda hoje repercute e liga o nome de Pinto Martins a Camocim e ao da aviação. Saído daqui com dois a três meses de idade e batizado e registrado em outra cidade de outro estado, Pinto Martins não tinha ideia de onde nascera e, talvez por isso, tenha incluído essa parada na escala do voo. Além do mais, a data prevista de chegada ao Rio de Janeiro já havia sido alterada para além de três meses, e um dia a mais ou a menos, não implicaria em muita coisa.
Os poucos escritos sobre a passagem da tripulação do Sampaio Correia II dão conta da agitação que a cidade viveu. Ao povo foi feita a conclamação para chegada do ilustre conterrâneo, que, como mostra a fotografia, acorreu em grande quantidade às margens do Rio Coreaú, por volta de uma hora da tarde de um dia claro e quente. Pinto Martins comandava o hidroavião quando fez o pouso. Aos ricos do lugar  coube a tarefa de receber os aeronautas tanto no mar, quanto na terra, designadas comissões que tiveram a tarefa de desempenhar tal mister. O Camocim Jornal divulgou o programa de festividades.  "Pinto Martins e comitiva seguiram para a casa de Tobias Navarro, conhecida como "o palacete da nobreza de Camocim", segundo o relato de Eduardo Campos, e local escolhido para o pernoite dos visitantes. Na chegada, Tobias Navarro ofereceu um almoço aos ilustres convidados especiais". Aliás, para quem quer saber os detalhes dos detalhes, precisa ler o livro de Eduardo Campos, "O Pouso da Águia", para entender melhor este fato. Outra fonte interessante é a do nosso saudoso cronista Artur Queirós em  "Recordações Camocinenses e Outras Memórias". 
À noite, mais homenagens esperavam os aviadores no Sport Club, hoje em ruínas, ainda a guardar ecos dessa noitada. Baseado em Eduardo Campos, tudo foi planejado nos mínimos detalhes. Após os discursos e a declamação de soneto do poeta Raul Rocha, a banda de música (contratada também como orquestra de dança) deu início ao programa musical do baile. Assevera o autor que Pinto Martins era um pé-de-valsa e, 'sempre que era solicitado, não dispensava uma dança. "A orquestra parou de tocar à meia-noite e, em seguida, foi servida a ceia. ....Era um desfilar de pratos, acompanhados de Medoc, o tinto francês a correr farto".
Com alguma ressaca e cansaço, os areonautas prosseguiram viagem no dia seguinte,  20 de dezembro de 1922, as 7 horas da manhã, cumprindo o horário pré-estabelecido rumo à próxima parada, Aracati. 
Na próxima postagens, enfocaremos mais detalhes de Pinto Martins em Camocim!

sexta-feira, 22 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS XII - A PASSAGEM PELO NORTE DO BRASIL

Sampaio Correia II no Pará. 1922.
 Fonte:http://blog.opovo.com.br
Entre primeiro e dezenove de dezembro de 1922, Pinto Martins e Walter Hinton experimentaram a hospitalidade do povo do norte do país. Já em espaço aéreo brasileiro, os aviadores passaram pela Ilha de Maracá, Belém, e Bragança onde  foram obrigados pousar , por causa de um temporal, no Rio Caeté. No dia 14 de dezembro, depois de terem ficado três dias em Bragança,  seguiram viagem para São Luís do Maranhão, onde desceram ao meio dia na Baía de São Marcos, desembarcando na Ilha de São Luís, onde ficaram até o dia 19.  O jornal O Estado do Pará recolheu as impressões do voo através do depoimento de Pinto Martins:
"Quando levantamos vôo de Caiena encontramos forte temporal pela proa. Rompemos o mau tempo com dificuldade, mas tivemos de procurar abrigo. Tomei a direção do aparelho (ele era co-piloto) e depois de reconhecer o Rio Cunani aí descemos às 3:30 hs. O tempo, lá fora, era impetuoso e ameaçador. Não nos foi possível prosseguir e passamos a noite matando mosquitos e com bastante fome, pois não contávamos interromper a rota…"

Durante a estada no Pará e no Maranhão, os aviadores receberam várias homenagens. Os custos com as festividades, no entanto, não apareceram nas páginas dos jornais. Contudo, nos relatórios do Governo do Pará, os gastos com a recepção aos aviadores Sacadura Cabral,  Pinto Martins e Walter Hinton, Exposição Internacional do Rio de Janeiro e festejos do Centenário da Independência, estavam na mesma rubrica (Verbas Eventuaes). Em todas estas festividades foram gastos o montante de 10.421:793$713 e arrecadados apenas 8.120:172$152, apresentando, portanto, um déficit de 2.301.621$561.
A próxima postagem tratará da chegada de Pinto Martins a Camocim.

Fonte: Relatório dos Presidentes dos Estados do Brasil. Pará. 1923, p.07.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS XI - A CHEGADA EM TERRAS BRASILEIRAS

Porto de Belém. 1922. População esperando o "Sampaio Correia II.
Fonte:https://www.levyleiloeiro.com.br/peca.asp?ID=113240&ctd=55&tot=125&tipo=54
Passado o tempo necessário em Trinidad e Tobago para os reparos no Sampaio Correia II, finalmente em 21 de novembro de 1922 a viagem foi retomada com destino à fronteira brasileira. No percurso, Georgetown  na Guiana Inglesa, dali para Paramaribo, Guiana Holandesa, Caiena , Guiana Francesa e, finalmente em  1º de Dezembro, pousam no Brasil, Estado do Pará, no Rio Cunani, ao norte da foz do Rio Amazonas. 
Na descrição da Revista da Semana, o cronista registrou:
Novos trinta dias decorreram, até que elles, reparando o grande avião dannificado, pudessem attingir as escalas prefixadas, Georgetown, Paramaribo e Cayenne, capital das Guyannas. O território brasileiro estava a dois passos, apenas à distancia de um vôo. Depois de duas amaragens forçadas. dormindo uma noite no rio Canani, que corta as Guyannas Brasileiras, Hinton e Martins attingiram afinal a "Terra do Ouro e da Esmeralda", no pequeno ancoradouro dos pescadores da Ilha de Maracá". (Revista da Semana, RJ, nº 26, p.29, 1923).
Como aconteceu por onde passaram, a multidão de populares acorria aos portos para recepcionar os aviadores. Em Belém não foi diferente, conforme nos mostra a panorâmica da fotografia acima.

terça-feira, 19 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS X - HOMENAGENS EM PORTO RICO PROBLEMAS EM TRINIDAD E TOBAGO!

Sampaio Correia II em Port of Spain. 1923. Fonte: Revista da Semana, Rio de Janeiro, nº 10, p.23, 1923.

Resolvidos os problemas no Haiti o raid foi retomado. Em Porto Rico, segundo a crônica da época, os tripulantes do Sampaio Correia II "viveram na idolatria do povo". Pinto Martins, à convite da Universidade local foi convidado a proferir conferência "não sobre as possibilidades, as conquistas e os perigos da aviação, mas sobre pan-americanismo, sobre as vantagens e desvantagens da theoria de Monroe, modificada por noventa e nove annos e alguns mezes de experimentação". (Revista da Semana, Rio de Janeiro, nº 10, p.23, 1923).
Para a etapa seguinte, Guadalupe e Martinica, o voo transcorreu  sem incidentes, pousando a 12 de outubro de 1922. Nesta etapa da viagem, a narrativa ganha ares poéticos, segundo a fonte que estamos usando: "A nau do azul parecia entrada na zona das calmarias: era sob ceus mansos, uniformemente tranquillos, que então se navegava entre as erradias nuvens da manhã e da tarde, veus de gaza com que o sol costuma envolver-se". (Revista da Semana, Rio de Janeiro, nº 10, p.23, 1923).
Tripulação do Sampaio Correia II num passeio em Trinidad. Pinto Martins é o último da esquerda para a direita.
 Fonte: Revista da Semana, Rio de Janeiro, nº 10, p.23, 1923.
No entanto, a partida para a próxima etapa, encontrou muitas dificuldades, notadamente quanto às condições climáticas. Enfrentando um forte temporal chegam a Port of Spain, em Trinidad e Tobago no dia 15 de outubro, onde tiveram que demorar por mais trinta dias para conserto das hélices "rachadas pelo aguaceiro"  e outras avarias no motor.
Continua na próxima postagem!

Fonte:  Revista da Semana, Rio de Janeiro, nº 10, p.23, 1923.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS IX - A ESTADIA NO HAITI

Depois de rebatizado o hidroavião adquirido na Base Naval de Pensacola, na Flórida, EUA, o mesmo passou por ajustes. No entanto, o  “Sampaio Corrêa II”, apresentou problemas de refrigeração nos motores. Ainda tentaram resolver o problema com um radiador auxiliar. No entanto, a experiência não deu certo, visto que impossibilitou o avião ganhar altura. A tripulação então decidiu aguardar novas peças para a realização do conserto em definitivo. A demora na chegada das peças fez com que o grupo permanecesse no Haiti durante um mês, o que inviabilizou a ideia de concluir o voo a tempo das homenagens relativas ao Centenário da Independência do Brasil.
Pinto Martins em Porto Rico. 1923. Revista da Semana, RJ, nº 10, p.21.
Somente a sete de outubro de 1922 eles reiniciam o “raid”, seguindo para a República Dominicana, depois Porto Rico e Ilha de Martinica. 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

ABRIL PINTO MARTINS VIII. CAMOCIM NO TEMPO DO NASCIMENTO DO AVIADOR



Pinto Martins. Fonte: Revista da Semana, RJ, nº 30, p25. 1927.
Quando Dona Maria Araújo do Carmo Martins começou a sentir as dores do parto, uma chuva vinda de leste prenunciava mais um aguaceiro daqueles de mês de abril. Ainda bem que o ano era 1892. Se tivesse sido quatro anos antes teria enfrentado além da seca, um terrível surto de febre amarela que ceifou a vida de 29 camocinenses. Pelas atividades do esposo, Antônio Pinto Martins, natural de Mossoró, sua estada em Camocim se ligava à exploração do sal, tanto que, foi só o rebento nascer que o mesmo fora convidado para representar a Companhia de Salinas Mossoró Assú no Rio Grande do Norte. Mas, como era Camocim em 1892, quando Euclydes Pinto Martins nasceu? Era um município do Estado do Ceará e sua população mal passava dos 6.000 habitantes (no censo de 1896, tínhamos apenas 6.667 almas, como se dizia antigamente) e apenas 369 eleitores qualificados, cinco vereadores e dois distritos. A Guarda Municipal, também fundada em 1892, compunha-se apenas de cinco praças,  O ensino público restringia-se a uma escola noturna para adultos, fundada em 1º de maio de 1890. O mercado, defronte à casa dos Martins, (onde hoje funciona a Biblioteca Pública) além de uma cacimba, um curral de madeira, um cemitério e um açude em Barroquinha eram os únicos bens imóveis do município. Ainda não havia o Farol do Trapiá a sinalizar a entrada da Barra do Camocim, posto que o mesmo só seria inaugurado em 1895, no dia 15 de novembro. A arrecadação da Meza de Rendas não passava dos duzentos contos de réis. Se o futuro aviador tivesse se batizado em Camocim, teria sido pelo padre encomendado Francisco Ignacio da Costa Mendes. Para ir até o final da linha da Estrada de Ferro em Sobral, de primeira classe,  que naquela época findava na cidade do Ipu, distante 216km de Camocim, o sujeito teria que desembolsar 12$300 réis. Entre os principais funcionários da ferrovia, se destacava entre os telegrafistas, Austrieliano Fonseca Coelho, entre os conferentes, Júlio Cícero Monteiro, fiéis de estação, Alexandre Carlos de Vasconcellos, condutor de trem de 1ª classe, Manoel Luiz de Sampaio. As correspondências dos Correios ficavam a cargo do agente Joaquim Francisco Coelho. As cargas que chegavam nos vapores oriundos das províncias do norte e do sul do país e do estrangeiro, desembarcavam no trapiche da Companhia Maranhense, inaugurado quatro anos antes (1888) quando a escravidão era abolida em todo Brasil. Em janeiro de 1892, depois de uma breve estadia no Porto de Camocim para reparos, a barca norueguesa "Theodor", capitaneada por A. M. Andreassen, partiu para o Pará. Na década seguinte, outro norueguês, o Capitão M. L. Lorentzen fundava em Camocim a sua companhia com os vapores Camocim, Sobral, Ipu e Cratheus. Dois anos depois do nascimento de Pinto Martins, o jornal granjense "A Reforma", fazia a leitura da conjuntura dizendo que: "Não foi tanto a corrupção dos nossos homens de Estado nem a má conducta do soberano deposto que produziram a queda da Corôa, sinão a ausência de tradições monarchica que occasionou, talvez prematuramente, a proclamação do regimem democrático".
Se hoje se comemora o Dia de Pinto Martins em Camocim, deve-se, portanto, à atitude dele de incluir a cidade no voo pioneiro que todos já sabem qual foi, visto que no planejamento inicial não constava no trajeto. Por outro lado, a memória das festas e homenagens aqui recebidas e a repercussão na imprensa da época, ajudou a solidificar Camocim e Pinto Martins, com relação ao seu nascituro, posto que o mesmo foi  batizado três meses depois, (28 de julho de 1892), na Igreja Matriz de  Macau e também registrado no Cartório Civil daquela cidade potiguar.  Desde cedo, o menino Euclides demonstrava ter uma inteligência diferenciada dos garotos da época. Desde os cinco anos de idade começou a estudar na escola pública local. 
Na próxima postagem retomaremos as histórias do voo inédito Nova Iorque ´Rio de Janeiro.