sábado, 29 de setembro de 2018

A LEI DE CRIAÇÃO DO MUNICÍPIO DE CAMOCIM. VIII SET/12

Publicação da Lei de Criação do Município de Camocim. 1879. Fonte: Cearense, Ano XXIV, nº 120, sexta-feira, 31 de outubro de 1879. Fortaleza. CE.


As leis, depois de sancionadas, para terem efeito legal, devem ser publicizadas. Isto é um expediente que existe desde que inventaram as leis. Antes dos jornais, as leis eram anunciadas por funcionários da burocracia em alto e bom som (geralmente nas feiras)ou escritas e transcritas e colocadas em local visível para o conhecimento de todos.
Este pequeno preâmbulo é para destacar a publicação da lei de criação do município de Camocim, sancionada há 139 anos atrás e publicada nos jornais da capital, dois dias depois.
Deste modo, o blog Camocim Pote de Histórias, disponibiliza a seus leitores no mundo todo, de forma inédita, a publicação da Lei Nº 1849, de 29 de setembro de 1879,ano 58º da Independência e do Império, que cria a Villa de Camocim, cujos limites ficaram os mesmos de quando era distrito de Granja, elevando-a à condição de município,  assinada pelo então Presidente da Província José Júlio de Albuquerque Barros, futuro Barão de Sobral, o mesmo, dois anos antes, batera o primeiro prego para a construção da Estrada de Ferro de Sobral em Camocim.
Este e mais outros documentos farão parte de um futuro memorial que está sendo criado na Câmara Municipal de Camocim.


RESTAURANTE POPULAR DE CAMOCIM. O "MOSQUEIRO". VIII SET/11

Restaurante Popular. "O Mosqueiro". Camocim. Fonte: www.tripadvisor.com

Alguma vez você fez alguma refeição no Restaurante Popular? Talvez houvesse alguma hesitação na resposta. Mas, se a pergunta fosse: você já comeu no "Mosqueiro"? Com certeza a grande maioria diria que sim, principalmente aqueles que tem mais de 50 anos e curou uma carraspana do dia anterior, vindo dos bailes do Balneário, Comercial ou Camocim Club. O "Mosqueiro", apesar dessa alcunha pejorativa, entrou para o anedotário popular e serve uma boa comida e de qualidade, principalmente para as pessoas que trabalham e trafegam no Mercado Público de Camocim. No entanto, você sabe a quanto tempo existe este estabelecimento em nossa cidade? Quem o construiu e quanto custou? O recibo abaixo traz mais esclarecimentos,

Recibo referente às despesas de construção do Restaurante Popular. Camocim. 1971. Fonte: Arquivo PMC.  
Pois é, nosso Restaurante Popular ou "Mosqueiro", como queiram, foi erguido durante a administração do prefeito José Maria Primo de Carvalho, no ano de 1971. A obra custou aos cofres públicos a quantia de Cr$ 9.200,00 ( Nove mil e duzentos cruzeiros), segundo o recibo assinado pelo Sr. Francisco das Chagas Araújo, famoso construtor da cidade que ergueu obras como o sólido Instituto São José, dentre outras, mais conhecido entre nós como Mestre Chico Araújo. Ainda segundo especificações do recibo, o Restaurante Popular foi construído,

"obedecendo as mais rigorosas normas de higiene e possuindo dimensão de 06,30m de largura por 20m de cumprimento. Revestido por paredes de alvenaria, apresenta-se com quinze bem distribuídos "boxes" azulejados; balcões de marmorite e mesas de pia, culminando com eficiente serviço de água e esgôto, tendo feito dentro da moderna estética".

Quarenta e sete anos depois, o "Mosqueiro" ainda resiste se constituindo num patrimônio histórico do nosso município,

OS DISCOS VOADORES DE BITUPITÁ E OS JIPES DE CAMOCIM. VIII SET/10

Recibo de Francisco Frederico Lopes. Camocim. 1976. Fonte: Arquivo da PMC.
Qual a relação entre discos voadores (OVNIS) e jipes? Aparentemente nenhuma. Mas, no ano de 1976, estes veículos terrestres e extraterrestres cruzaram (não, no sentido literal) seus caminhos, mais precisamente na praia de Bitupitá, então distrito de Barroquinha do município de Camocim.
Após várias aparições de objetos "suspeitos que estavam baixando no referido distrito", as autoridades de Camocim, e das Forças Armadas, resolveram constatar "in locco" o aparecimento destes objetos voadores não identificados.

É aí que os jipes entram na história. Sem viaturas específicas para o patrulhamento, a Prefeitura de Camocim contratou três jipes para conduzirem até Bitupitá, "oficiais da Agência da Capitania dos Portos", "oficiais da Marinha de Guerra" e "oficiais do Exército que se deslocaram de Fortaleza para visitar o referido distrito".
Estas são informações que constam de recibos assinados pelos proprietários dos veículos junto à Prefeitura Municipal que pagou entre Cr$ 300,00 a  Cr$ 450,00 por cada frete. Os recibos são fontes históricas que dizem pouco sobre o fato, mas revelam um caminho de pesquisa a ser aprofundado.



Conversando com o taxista Pedro Farias Filho, que ainda hoje faz ponto com seu táxi no Mercado Público, um dos que assinaram os recibos, o mesmo confirmou o fato do ter ido à Bitupitá com as autoridades, mas, o jipe não era seu e sim do nosso saudoso mecânico, Nilo Cordeiro da Silva.
Não sabemos se as autoridades confirmaram o aparecimento dos objetos estranhos que estariam pousando na praia de Bitupitá, mas os rastros da história ficaram nos documentos. Quem averiguará?

Fonte: Recibos. 1976. Arquivo Público da Prefeitura Municipal de Camocim.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

AS CONTAS DE ÁGUA, LUZ E TELEFONE DE CAMOCIM. VIII SET/09

Conta do SAAE de Camocim. 1970. Fonte: Arquivo da PMC.


Como você paga sua conta de água mensalmente em Camocim? Provavelmente em algum posto de recolhimento mediante o "papel" da conta correspondente. Mas, e como eram os recibos na década de 1970, do século passado. O blog recupera o modelo utilizado nesta época, devidamente preenchido à máquina de datilografia e sem maiores informações, além do consumo mensal. Hoje, informações como turbidez, cor, quantidade de flúor e coliformes são informados nos chamados "parâmetros da água distribuída. A conta acima é do consumo do Mercado Público de Camocim.


E a conta da luz? Antes mesmo da COELCE - Companhia de Eletricidade do Ceará, os recibos de energia em Camocim eram emitidos pela Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste - CERNE. Eu ainda sou do tempo em que se falava que a energia de Camocim foi trazida da Hidrelétrica de Paulo Afonso, através da CENORTE, sigla gravada nos postes de cimento. A conta mostrada é de 1971 e também se refere ao consumo do Mercado Público de Camocim.


E a sua operadora de telefone? Em 1971, o celular não era cogitado nem em sonho e a telefonia era fixa, conforme mostra o recibo da conta do mês de setembro da Prefeitura Municipal de Camocim, no valor de Cr$ 12,35 (doze cruzeiros e trinta e cinco centavos). A nossa "operadora" local era o Serviço Telefônico de Camocim S.A e funcionava com o auxílio de uma telefonista que comandava as chamadas de uma central telefônica que funcionou por um tempo na Rua 24 de maio, ao lado da Escola João da Silva Ramos.
Até hoje, se não pagar em dia, os serviços são cortados...


Fonte: Conta de Luz. 1970. Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim.
Conta de Telefone. 1971. Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim. 


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A BIBLIOTECA PINTO MARTINS. REINAUGURADA. VIII SET/08

Biblioteca Pinto Martins. Camocim. 2018. Cartaz de divulgação para reinauguração. Fonte: PMC.


Foi reinaugurada a Biblioteca Pública Municipal de Camocim Pinto Martins. Na chamada oficial se pode ler: "Após passar por ampla reforma, a casa onde nasceu o aviador Euclydes Pinto Martins e que abriga a Biblioteca Municipal que leva seu nome, foi reinaugurada pela Prefeita Monica Aguiar, na manhã desta segunda-feira, 24. O evento contou com a presença de diversas autoridades e estudantes da Rede Municipal de Ensino. O ato fez parte da programação comemorativa dos 139 anos do Município de Camocim". 
Com novos espaços, acesso para cadeirantes, decoração temática alusiva ao feito pioneiro de Pinto Martins e acesso à computadores e internet, a Biblioteca Pública Municipal Pinto Martins, sem dúvida, acolherá melhor estudantes e amantes da leitura. No entanto, talvez pouca gente saiba que este espaço está prestes a completar 46 anos de existência. Pois é, a Biblioteca Pública Municipal Pinto Martins foi criada pela Lei Municipal Nº 313 de 09 de outubro de 1972. Portanto, esta é uma data que se poderia realizar algo para marcar a existência da mesma. A lei acima referida foi sancionada pelo então prefeito de Camocim, José Maria Primo de Carvalho.






Fonte: Arquivo da Câmara Municipal de Camocim. Ano de 1972.


AS ARTES PLÁSTICAS EM CAMOCIM. 30 ANOS. VIII SET/07

Cartaz de divulgação do 30º Salão de Artes de Camocim. 2018. Fonte: PMC.


Qual o legado de uma grande ideia? Podemos dizer que a funcionalidade e longevidade são aspectos que resultam de uma concepção feliz. Há 30 anos atrás, em 1988, no século passado, a Prefeitura Municipal de Camocim, na pessoa da então prefeita Ana Maria Veras teve a felicidade de legar para nossa história, a ideia de um Salão de Artes. De lá para cá, esse evento se consolidou e, ainda hoje, temos artistas que participaram do primeiro evento, outros apenas uma vez, mas, sempre com uma marca nossa: a presença de artistas locais participando na maioria dos trabalhos e nas várias categorias, como desenho, fotografia, pintura em tela. Já houve edição que tivemos até escultura e poesia. Alguns locais já receberam o Salão de Artes de Camocim. Desde os primeiros no então Hotel Municipal, houve um ano que foi no prédio da antiga FAMOL na Rua José Maria Veras, na Estação Ferroviária. Esqueci de algum? O Salão de Artes deste ano está, desde o dia 24 de setembro, no Centro de Animação Turística,  agora revitalizado, no espaço do antigo Museu do Pescador. 
Artistas como Beatriz Navarro Veras, Batista Sena, Edmar Gonçalves, Mauro Viana, Totõe, Mãozinha expuseram nos primeiros salões. Hoje temos uma nova safra, constituída de artistas do porte de Eduardo Souza, Francisco Carlos, Chagas Albuquerque, Santana, dentre outros.
Mas se você quiser saber quem são os velhos e novos artistas de nossa cidade, visite o Salão de Artes e prestigie nossos talentos.



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A FONTE LUMINOSA DE CAMOCIM. CURIOSIDADES. VIII SET/06

Fonte Luminosa de Camocim. Foto: Domínio Público.

Quem tem mais de cinquenta anos em Camocim ainda pode ver e se encantar com a Fonte Luminosa de Camocim, localizada defronte à nossa Estação Ferroviária. Cronistas e poetas camocinenses, como Avelar Santos e Inácio Santos já descreveram e contaram sobre a beleza que era esse lugar, espécie de oásis à beira mar com seus jogos de água e luz, além de um mini zoológico com aves e pequenas tartarugas. Mas, como sou historiador e não tenho o dom da escrita como a dos colegas acima mencionados, vou em busca das minúcias em documentos contábeis: a alimentação destes animais era uma ração à base de milho e arroz em casca. 


Para isso, entre os meses de janeiro a abril de 1970, a Prefeitura Municipal de Camocim pagou ao comerciante José Guilherme de Sousa a importância de Cr$ 25,00 (vinte e cinco cruzeiros), quantia esta só recebida em agosto do mesmo ano. No mesmo mês, por ter vigiado no período noturno a Fonte Luminosa, entre os dias 16 e 22, o Sr. Antonio Maximiano de Sousa recebeu CR$ 28,00 (vinte e oito cruzeiros). Terá sido o nosso amigo Paparuá (que tem o nome igual ao do recibo correspondente) que fez este serviço a Cr$ 4,00 (quatro cruzeiros) a noite? O Prefeito da época era Setembrino Veras.

O certo é que a Fonte Luminosa ao final dos anos 1970 foi desativada na gestão do prefeito José Maria Primo de Carvalho. Espera-se a conclusão de um monumento na entrada da cidade que lembrará o estilo "fonte", mas isso é uma outra história.

Fonte: Recibos. 1970. Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim


CASA DOS ESTUDANTES DE CAMOCIM. FORTALEZA-CE. VIII SET/05

Recibo. Núcleo dos Estudantes de Camocim. 1973. Fonte: Arquivo da Prefeitura Municipal de Camocim.

Num tempo em que estudar era difícil e para poucos, manter um filho estudando, "continuando" seus estudos era uma façanha. Na década de 1970 o máximo de nível escolar que Camocim proporcionava era o antigo primeiro grau. Mandar um filho estudar fora só para quem tinha "bala na agulha". No entanto, alguns comerciantes, funcionários públicos e autônomos que tinham alguma condição financeira conseguiram que seus filhos enfrentassem as dificuldades e fossem estudar em Fortaleza. Para isso, fundaram na capital o Núcleo dos Estudantes de Camocim (NEC), a famosa Casa dos Estudantes por onde passou mais de duas gerações de jovens camocinenses. Muitos dos que usufruíram desta república estudantil, hoje estão entre nós como empresários, profissionais liberais, funcionários públicos, políticos, etc. Outros se foram, como o escritor Carlos Cardeal. Com ele escutei histórias de solidariedade e outras de dar arrepio ocorridas naquele espaço que ficava nas proximidades do Liceu do Ceará e do Corpo de Bombeiros, Rua Liberato Barroso, 1344. Incitei Carlos Cardeal colocar aquelas lembranças no papel. O mesmo me disse que nem que usasse pseudônimos para todos, ia perder a amizade de muitos. Quando cheguei na idade de fazer o segundo grau, no ano de 1979, um amigo de meu pai lhe desaconselhou a enviar-me para a Casa dos Estudantes de Camocim, face à minha idade.
Carlos Cardeal. Um dos moradores do NEC.

Mas, sem dúvida, manter a casa era uma tarefa hercúlea, pois, somente na base da solidariedade de alguns empresários e políticos, aquele núcleo estudantil era mantido. No documento mostrado acima, temos um recibo assinado pela diretoria da entidade, onde a Prefeitura Municipal de Camocim repassou a importância de CR$ 300, 00 (trezentos cruzeiros) referentes aos meses de março, abril e maio de 1973, dinheiro este recebido apenas no mês de agosto  daquele ano. 
Benedito Gomes Coutinho e José Miclésio da Silva eram presidente e 2º tesoureiro, respectivamente. João Pascoal de Melo (in memoriam) era o Prefeito.
É preciso que alguém que morou no NEC, um dica conte esta história num livro de memórias, tarefo que delego ao cronista Avelar Santos